São Paulo, férias escolares, feriado e estréia de Shrek 4, produção que promete ser a última da série produzida pela Dreamworks. As crianças adoram o ogro e os pais aproveitam o tempo livre para organizar o programa familiar sem perceber que Shrek não fora concebido como desenho infantil, tamanha quantidade de citações, assim como Os Simpsons, mesmo que ambos estejam acessíveis à qualquer idade. A diferença de Shrek 4 para os demais capítulos da série – a tecnologia 3D – e a única cena que justifica o uso de tal recurso é a inicial, na qual cavalos atravessam a tela direcionando o espectador até a carruagem dos monarcas de Far Far Away. Quem dera se tal recurso fosse empregado na famosa corrida de bigas de Ben-Hur.

O que justificaria um quarto filme senão o tedioso “Felizes para Sempre“, a vida é tomada por responsabilidades familiares e o ogro deixara de ser ameaçador aos camponeses. A perda da adrenalina e a rotina incomodam Shrek, os laços afetivos entre ele e Fiona não empolgam mais, a chama da paixão se extinguira em uma clara projeção do que aconteceria a um casal real. Parte disso muda quando o monstro encontra Rumpelstiltskin, personagem que representa o turning point da vida mansa de Shrek, mas que ao contrário de outros caracteres não cativa e sequer intimida. Rumpelstiltskin é o vilão estereotipado dos desenhos de televisão, capaz de tudo para conquistar um objetivo, mas tolo o bastante para perdê-lo ao final.

Rumpelstiltskin  promete ao ogro uma volta ao passado, uma benção aos mais saudosistas e um alivio ao pai de familia tentado a livrar-se de algumas responsabilidades. O vilão consegue o que almeja direcionando Shrek à uma realidade paralela, local onde não é reconhecido pelos principais amigos e pela amada, líder do grupo rebelde que luta contra Rumpelstiltskin, atual governante de uma destruida Far Far Away. O paralelismo, amplamente empregado e  desgastado nos últimos anos tenta dar fôlego ao filme alterando aspectos fisicos e a personalidade de alguns caracteres, contudo a produção dobra-se  ao duelo do Bem x Mal em proporções pobres e repetitivas.

Shrek, o principal desenho da Dreamworks, sofre do mal dos filmes em série, a falta de bons roteiros, histórias que justifiquem a volta ao tema. Se Shrek volta pelo tédio do que representa felizes para sempre, seu final é contraditório e piegas repetindo a fórmula já conhecida. Pouco se salva na nova aventura do ogro, talvez o desenvolvimento técnico da animação, cada vez mais realista e bem moldada. O principal destaque fica para a trilha-sonora, capaz de arrancar sorrisos quando bem empregada. Nem os quilos a mais do Gato de Botas salvaram o mergulho de Shrek no caos familiar. Eis uma despedida bem abaixo do nível esperado.

Assista ao trailer de Shrek Para Sempre

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