Começaram as férias escolares e com elas a da seleção brasileira, eliminada da Copa do Mundo da África do Sul. O tom verde-amarelo, o grito de gol, as vuvuzelas e as ruas decoradas tendem a desaparecer, assim como os comentários sobre Dunga e seus selecionados. A mídia não perdoa e como um bom detetive analisará cada lance da morte da seleção atrás dos possíveis culpados. O fato é que eles não existem, ao final do jogo sempre haverá o vitorioso, a igualdade de marcador fica restrita aos confrontos comuns. Alguém precisa ganhar, nosso desejo é fruto do grande número de vitórias e das 5 estrelas estampadas no uniforme. Será que a Coréia do Norte fez tanto circo após a eliminação? Claro que não, o título de país do futebol é nosso, não podemos perdê-lo. Por isso vos escrevo.

Contudo a perda é dolorosa, sobretudo a frustração do eu. Não é fácil trabalhar a dor, seja ela por qualquer motivo, mais fácil seria esquivar-se e correr de encontro à felicidade. Talvez o pior seja a esperança, quando depositada e não concretizada. Eis o que aconteceu com os selecionados de Dunga, sobretudo pelo salto da mídia das quartas para a final, visto que a semi inexistiria na disputa contra Gana ou Uruguai. O time de Dunga fez um primeiro tempo fantástico, com futebol e placar para descer as escadas do vestiário com imensa tranqüilidade. A Holanda pelo contrário ligou o chuveiro na espera de acordar da embriaguez que se encontrara.

Decidida a laranja pragmática voltou para tentar seu máximo e o Brasil a esforçar-se o mínimo. Eis que algo saiu do controle e após 2 falhas humanas quem estava atrás passou a frente, assim como a tartaruga fizera com a lebre do antigo conto. Quem imaginaria que o jogador mais criticado daria bons motivos para o próprio sepultamento, assim como o dos demais companheiros, chocados com a força do adversário, ou talvez a própria fraqueza. Mente aquele que julgar que não houve esforço, sim, talvez a falta de organização ou talento. Mas o que esperar de um banco de reservas que não provoca esperanças? O aspecto coletivo do time de Dunga sempre fora mais forte que o individual. Tudo desmoronou com as falhas. A Holanda que tentara pouco, não fez nada além dos gols, estes sim importantes para o resultado final.

2X1. Placar amargo, injusto ao homem que lutou contra a mídia trazendo a tona uma discussão importante, mesmo que violentada pela sua má educação, o quão poderosa e cancerígena é a Rede Globo de Televisão. Os bastidores ferveram enquanto os jogos mornos pouco empolgaram. Ao contrário de muitos, gostei da seleção de Dunga,  vitoriosa, limitada sim, mas aguerrida e comprometida com uma causa nobre – emocionar milhões de brasileiros durante 90 minutos. Na alegria e na tristeza, justa separação, sem divisão de bens. Continuamos nossas vidas como se nada tivesse acontecido.

Antes que me esqueça, voltaremos a programação normal com nossos filmes e debates culturais.

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