Que sobrenome! Sempre travo a lingua ao falar de Rogério Sganzerla, não de sua obra, representativa e fundamental para a compreensão do cinema marginal. Esquecendo a Copa e seus insucessos, decidi conferir a exposição sobre o cineasta no Itaú Cultural, fato fundamental para a valorização de um um sujeito importante para nosso cinema como Rogério . Na entrada, letreiros luminosos, uma clara referência a sua obra mais conhecida – O Bandido da Luz Vermelha. Frases incandescentes, roteiros e posteres decoram tábuas de madeira mal arregimentadas, bases da boca de lixo paulistana. Composto essencialmente de objetos pessoais e referências aos seus principais colaboradores, a área inicial é aconchegante para o convidado em sua simplicidade.

No fundo, espaço para projeções em quatro telas. Trechos dos principais filmes de Rogério, destaque para a fotografia belíssima mesmo no mais  cru da boca de lixo. Sua musa e esposa Helena Ignez em diversas tomadas, a eterna Ângela Carne e Osso, inimiga número um dos homens, mulher ousada de 1969. Frases de efeito eclodem dos alto falantes, um despertar crítico para nosso terceiro mundo. Os gritos do diretor, seus personagens compartilham espaço com uma guitarra, dispositivo interativo que se tocado provoca alterações em imagens de Jimi Hendrix, um dos ídolos do diretor. O instrumento estava lá mas não me atrevi a segurá-lo mesmo com a vontade de emitir algumas notas, talvez a imagem de Hendrix tenha me intimidado. Não dá pra fazer feio na frente do mestre.

Para encerrar diversos objetos pessoais, a máquina de escrever, roteiros, câmeras e fotos. Uma foto pequenina, de grande importância pode passar despercebida. Está com o verso exposto, refletida em um espelho, a imagem fica em segundo plano pelo texto escrito por Rogério – A primeira foto que bati. Para muitos estará lá perdida, dentre tantos objetos, mas é significativa para o diretor falecido. Poucos se lembram da primeira foto que bateram, não faço idéia, mas Rogério sim. Eis uma exposição que merece ser vista, pequena em tamanho mas grande em importância.

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