Existem três filmes representativos na carreira de Ridley Scott. O primeiro é Alien, filme que revolucionou o gênero terror/suspense. Mal enxergamos o personagem-titulo em suas perseguições, mas cenário e montagem desenvolvem um ambiente claustrofóbico, eis um dos filmes mais assustadores que assisti na infância. O segundo é Blade Runner, simplesmente eleito por muitos como o melhor filme de ficção científica de todos os tempos. Se não o melhor, um dos mais filosóficos ao lado de Stalker de Andrei Tarkovsky. O terceiro e não menos importante é Gladiador, épico bem estruturado, gênero morto até então, pelo custo elevado da produção e símbolo do retorno do diretor ao patamar merecido. Eis que Ridley regressa com Robin Hood, história adaptada diversas vezes ao cinema.

A primeira impressão recai sobre a produção, arte, figurino, cenários e fotografia. Desconheço o valor gasto, mas já concluo que foi bem empregado. Não há como negar que o filme é bem feito com travellings, tomadas monumentais e atores de peso em cada fotograma. Se Martin Scorcese conta com Leonardo DiCaprio, Russel Crowe é atualmente o rosto preferido de Scott. Mas se há alguém que desperta atenção este é Max Von Sydow, presente na filmografia recente de ambos diretores. Sydow é uma lenda, visto em diversos filmes de Ingmar Bergman passou por produções de peso, sempre com boas atuações, merece uma estátua na Suécia se ainda não a possui.

O roteiro comportado é recheado de elementos comuns à filmes épicos – batalhas sangrentas, o mito do herói e sua redenção, o vilão e sua inevitável derrota, a paixão proibida, mesmo assim a maestria de Ridley contorna a mesmice. A transição de Hood de cavaleiro da coroa para fora da lei é o segmento mais interessante na lenda do arqueiro. Aliás sobre tal ouvi o seguinte comentário de uma casal na sala de cinema – “Mas Robin não seria Wood ao invés de Hood?” O som pode ser semelhante, mas pobre Robin, rebaixado a lenhador pelo exílio na floresta de Sherwood. Deixemos o lenhador na história da chapeuzinho vermelho. O filme sana qualquer dúvida a respeito ao revelar que Hood era filho de pedreiro.

Se preso na mesmice, a narrativa tem aspectos interessantes como a força da mulher, na figura de Marion Loxley (Cate Blanchett), exposição  que ganha espaço no cinema, bem ilustrada no final de O Retorno do Rei quando Eowyn derrota o Nazgul, afirmando sua posição feminina. Apesar de masculinizada, Marion é uma mulher ousada que não teme enfrentar a igreja, o xerife ou mesmo o vilão que tenta estuprá-la. Ao final a personagem segue para a batalha ao lado de Hood demonstrando fraqueza no embate com seu principal oponente, momento em que o herói masculino demonstra sua força. Aliás, Hood subverte a ordem para atingir a igualdade de condições fundando uma comunidade a margem, aspecto politico a ser citado.

Se não encanta pelo roteiro e história, Robin Hood de Ridley Scott demonstra que o diretor alinha bem um filme tecnicamente. As tomadas da batalha final são ótimas e a cena da flecha subjetiva valem a ida ao cinema. Sem nenhuma novidade, Hood é a expressão de um diretor que não precisa mais provar sua qualidade, talvez falte um bom roteiro para aquele que viaja pelo universo e pelo tempo como poucos. Longa vida Sir. Ridley Scott!

Assista ao trailer de Robin Hood

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