O texto que segue poderia estar na categoria dramas do cotidiano, isso se este blog possuísse uma, contudo nunca foi intenção e/ou objetivo expressar minha tristeza neste espaço. Hoje farei uma exceção já que ontem fui vitima da violência urbana que se alastra pela cidade de São Paulo. Nesta quarta, por volta das 18h00 recebi uma ligação desesperada, era minha mãe, que ao entrar em casa percebera que a mesma fora invadida. – Levaram Tudo! Tudo! Estas as poucas palavras que me lembro enquanto voltava após mais um dia de trabalho.

Paulatinamente recebi a descrição dos objetos que faltavam, minha televisão de plasma e o computador, talvez os mais nítidos em decorrência da sua disposição na sala, primeiro ambiente após a porta principal. O primeiro sentimento foi de preocupação, seguido de impotência por não estar próximo de minha mãe que já acionara a polícia. Durante o caminho pensara em quão significativo eram aqueles objetos para mim, não pelo valor econômico mas pela história representativa de cada um. Temi pelo pior, a coleção de livros, filmes, músicas e o equipamento audiovisual conquistados com muito empenho e dedicação estariam a salvo ou nas mãos dos larápios?

Questões emergiam e desapareciam já que o principal desejo era o de observar o estrago com os próprios olhos. Ao chegar o contraste entre a ausência dos objetos e a presença de amigos e vizinhos, base desse momento tão difícil onde o principal furto fora a sensação de segurança. Todos atônitos se questionaram como uma Televisão de 42 polegadas deixaria tal apartamento em plena luz do dia em uma região tão movimentada como a que moro. Uma das vizinhas, que trabalha em frente ao prédio disse ter visto dois sujeitos após o almoço atravessarem a rua com uma televisão enrolada em um lençol.

Sem dúvidas minha maior perda fora o computador e a memória nele registrada. Artigos, trabalhos, textos, poesias, fotos, video e imagens, trabalhos de décadas sem qualquer possibilidade de recuperação. Muitos me questionaram – Mas você não tinha Backup de tudo isso? Sim, no próprio computador já que trabalhava com 3 Hds. Com a perda material cresce a valorização pela vida já que estar ausente durante o ocorrido poupou-nos de um trauma ainda maior.

Para o balanço negativo – 8 pares de tênis de marca, 15 camisetas novas, 1 camêra Fuji escolhida a dedo, 200 reais da minha mãe, além da já citada televisão e computador, tudo devidamente registrado no Boletim de Ocorrência feito no mesmo dia da ação criminosa. Para o balanço positivo minhas roupas e sapatos sociais, meu home theater com 2 players, minha coleção de Cds, Dvds e livros, alvos de um possível retorno que será dificultado pelo novo sistema de segurança com novas travas e alarme.

Deixo meu apelo à todos os amigos para que não cometam erros basais como não ter uma senha do sistema ou uma porta com tranca mais reforçada. Sempre achei que a pequena tranca que minha mãe fecha toda noite era uma paranóia desnecessária. Hoje sei que em uma cidade como a nossa tal atitude é necessária.

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