Quinta-feira, o mundo artístico teve uma grandissíssima baixa. Johnny Alf, responsável pelas primeiras construções harmônicas da Bossa Nova antes mesmo de João Gilberto inventar a tal batida, perdeu a luta contra o câncer. Mas antes ele já vinha digladiando contra outra coisa: a morte da memória sócio-cultural do Brasil, assunto sério que precisa ser rediscutido urgentemente.

Até mesmo porque se defendermos a ideia de que a geração dos nossos pais foi a mais abastecida culturalmente, estamos literalmente fodidos. Chico Buarque, Caetano Veloso, Lygia Fagundes Telles, Zé Celso Martinez, Gilberto Gil, Carlos Manga, Cacá Diegues, Rubem Fonseca, figuras que tantam pensam, cantam, escrevem e encenam o Brasil, um dia, mais cedo ou mais tarde (tomara que BEM tarde), irão para o outro lado do mundo metafísico. Natural.

O complicado é pensar que elas darão lugar para……. Ivetes, Claudias, Créus, mulheres-feira, Parangolés, ex-BBBs, ex-Fazendeiros. Dá até arrepio.

Aliás, a repercussão da morte do Johnny Alf na imprensa não reflete a grandesa do músico. Ninguém, ou quase ninguém, teve a óbvia ideia de homenageá-lo com uma reportagem aprofundada e singular, assim como sua carreira. Só se viu o básico do básico. “Johnny Alf, considerado o verdadeiro papa da Bossa Nova, morreu no Hospital tal, na quinta-feira, horário x…” Que chato!

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