A comparação será inevitável. Coração Louco lembra muito O Lutador. Quando lançado em DVD o filme de Scott Cooper pode ser vendido no mesmo Box da produção de Darren Aronofsky. Por que? É simples, ambos tratam da decadência e redenção humanas. Conhecemos Bad Blake (Jeff Bridges) na mesma situação de Randy (Mickey Rourke) – fim de carreira, álcoolatra e com problemas familiares. Contudo ao invés de ser mais um filme sobre a mesma base, Coração Louco consegue ser envolvente e tão bom quanto O Lutador. Boa parte disso se deve a atuação magistral de Jeff Bridges assim como fora anteriormente com Mickey Rourke.

Comparações de lado, acompanhamos o final da carreira de Bad Blake, um cantor country que sobrevive com pequenos shows em cidades do interior americano. Blake se arrasta entre bares, satisfazendo os fãs com composições antigas, de um período aureo não conhecido pelo espectador. Em uma destas cidades ele conhecerá Jean (Maggie Gyllenhaal), uma jornalista que provocará a redenção necessária. Ao contrário das outras mulheres que o cantor encontrara pela estrada, Jean despertará um sentimento forte em Blake, que por certo tempo voltará a ter uma vida prazerosa.

Jean tem um filho pequeno, fruto de um relacionamento desastroso enquanto Blake tem um filho que não vê há mais de vinte anos. Tais fatores existem, contudo servem apenas de pano de fundo para relações que não serão aprofundadas. Blake é o centro do filme, toda narrativa o circunda, seu trabalho, lazer, momentos de alegria e tristeza. A relação com Jean começa a ficar mais séria e a inspirar o cantor em suas composições, porém o problema com a bebida continua e para evitar um novo passo errado, Jean decide afastar-se de Blake que busca ajuda para curar o vício.

Apesar de problemático o personagem é um tanto atraente, já que enfrenta problemas comuns. Nós, como espectadores envolvidos com a narrativa melodramática, torcemos para a superação de tais dificuldades e pelo final feliz de Blake, um sujeito humano e simpático. Porém o filme prefere não ser tão ingênuo, apesar do caminho sempre previsível que segue. Nele temos a velha figura do Cowboy, dessa vez não tão forte e glamurosa como em outras ocasiões. Blake representa o velho country, um ritmo decadente entre os mais jovens que sobrevive na figura do pupilo Tommy (Collin Farrel).

Blake se arrasta do ínicio ao fim ao contrário do filme que tem um ritmo bem consistente. Apesar de simples, o filme tem alma própria, coisa que muita produção milionária não conquista. Coração Louco sustenta-se na já comentada atuação de Jeff Bridges que sem dúvidas merece levar o Oscar de melhor atuação para casa para que a mesma injustiça não seja cometida com outro lutador.

Assista ao trailer de Coração Louco

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