Após algum tempo longe dos grandes espetáculos musicais, quase um juramento de fidelidade à minha banda favorita – O Pearl Jam – decidi que deveria assistir ao show do Coldplay, grupo inglês que sempre admirei. Me rendo e não me arrependo, em quase duas horas de show ouvi as principais músicas do grupo e praticamente a integra do último álbum Viva La Vida. Há algum tempo percebo que o bom repertório e a mega estrutura são parte de um aparato técnico que sensibiliza diversos sentidos do sujeito, já que um espetáculo visual torna-se tão importante quanto um som potente e bem equalizado.

Talvez estes requisitos não tenham sido bem preenchidos pelas bandas de abertura. Em relação à Vanguart descrevo pouco ou nada, já que não cheguei há tempo de acompanhar a apresentação dos cuiabanos. Porém uma figura me intrigou, Natasha Khan, “cover” da Björk e vocalista da banda Bat for Lashes. Difícil definir como influência, a proximidade de Natasha com a cantora Islandesa. Musicalmente e fisicamente Natasha Khan enveredou por um estilo com reinado soberano de Björk, talvez a semelhança entre os tons vocais seja a razão mais significativa da inevitável comparação.

Como dificilmente alguém vai à um show por ser fã da banda de abertura, a apresentação de Natasha Khan e banda fora das mais frias que já acompanhara, pelo menos do setor no qual estava. O período entre uma banda e outra é longo, principalmente quando se espera uma das principais atrações da noite. O Coldplay entrou alguns minutos após a previsão, nada que atrapalhasse o clima da noite. Com a habitual introdução musical da turnê eles tocaram Life in Techicolor e Violet Hill para cair na primeira explosão da noite. A trinca Clocks, In My Place e Yellow agitou o público, culminando em um desorganizado Happy Birthday para Chris Martin, aniversariante da noite.

Diferentemente dos shows intimistas realizados para “míseras” 10.000 pessoas na última passagem pelo Via Funchal, o Coldplay, confirmando o status atual de Mega Banda Pop, conseguiu paulatinamente encher boa parte do espaço destinado aos espectadores no Morumbi. O mix de músicas novas com antigos sucessos continuou com 42 e Fix You. O ponto alto da noite talvez tenha ficado para Viva La Vida e seu interminável “Oh Oh Oh” cantado em coro pelo público. Ao final de algumas músicas Chris Martin fez questão de expressar sua gratidão com palavras em português. Para encerrar, o Bis com The Scientist, um dos principais sucessos da banda.

Um Feedback particular chama a atenção – na saída o “Oh Oh Oh” ainda era entoado por muitos que deixavam o estádio. O Coldplay mudou muito desde sua última passagem pelo Brasil, com o disco A Rush of Blood to the Head veio o estrelato, com X&Y a confirmação que a banda tinha capacidade de se manter na cena musical. Porém Viva La Vida e sua turnê colocam o Coldplay entre os principais ícones Pop, posição esta que tem vantagens e desvantagens. Se a pergunta era – Seria o Coldplay uma banda ícone da cultura de massas? A confirmação final ocorreu ontem na frente de 60 mil pessoas.  Fogos de Artificio! Papéis Picados! Lasers! Viva La Musica!

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