Das profundas análises sobre cinema para o universo glamuroso das beldades midiáticas. Pois é galera… Marco minha retomada neste oportuno espaço compartilhando uma história envolvendo esta figura bizarra e tão pequena.

Foi durante o almoço, num tórrido domingo de carnaval, que minha sogra , após meu comentário de que a garota da Uniban, antes nada notável, hoje destaque de carro alegórico, afirmou: “Vejo a Geisy como a Geni. Cheias de hipocrisia, as pessoas falam mal dela, jogam bosta nela…”

No início da trama (parafraseando o cinema), quando Narciso ainda não tinha tocado a mente, o rosto, a barriga e os peitos da garota, até podia ser. Mas hoje, definitivamente não… E mais: é uma grande mancada comparar a oportunista Geisy à ingênua Geni, moldada com tanta maestria por Chico Buarque.

Embora compartilhem um ambiente semelhante, povoado por pessoas hipócritas, pseudo-moralistas e prontas para atirar seja bosta ou pedra, as duas mulheres são bem diferentes. A criada por Buarque é, sim, uma prostituta, um objeto, uma mulher errante. São poucos os seus atributos socialmente aceitáveis. Mas se tem algo que ela tem, e que é brilhantentemente notável, é um sentimento latente de redenção. Na música, a população, ameaçada, clama, depois de tanto “jogar bosta”, para que Geni durma com o Zepelim. E ela acaba cedendo seu corpo ao novo visitante pensando no bem comum; não por vontade própria.

Geisy, por sua vez, não está inserida neste ambiente. Hoje, o povo, ainda mais o brasileiro, é demasiadamente melodramático, gosta das histórias tortuosas que, no final, transbordam felicidade. O brasileiro não seria capaz de emparedar uma Geni da vida. Se fosse, seríamos os maiores espectadores do cinema europeu. Mas não, preferimos os hollywoodianos, com começo, meio e fim burilado de sentimentalismos.

Voltando a Geisy… Ela caminhou na contramão da Geni. Em nenhum momento foi ingênua. Parece ter calculado cada instante, cada passo dado tanto dentro da Faculdade como nas redes de televisão por onde deu entrevista (ainda acredito que ela tenha levantado a saia quando subia as escadas). E, em vez de ficar na dela, curtindo uma provável indenização, ela preferiu entrar no jogo midiático não como personagem, mas como estrela, celebridade, enfim, algo que ela está muito longe de ser.

A imprensa deu corda – e ainda dá – pipocando fotos de Geisy antes e depois das plásticas, jogando os holofotes para o carro alegórico da Gaviões da Fiel ou pedindo autógrafos para a garota dentro da redação da Record. Mas esta corda laceia e certamente está circundando a Geisy. E quando ela apertar na cintura, todos nós esqueceremos quem foi um dia Geisy Arruda, a garota da Uniban.

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