Não há como negar que prefiro o Festival de Cannes ao Prêmio da Indústria do Cinema. Porém não podemos desmerecer uma premiação com mais de 80 anos, já que, Hollywood tem imensa história e não está fundada apenas em filmes “comerciais” e Blockbusters como muitos esbravejam. Enunciei em outras ocasiões minha opinião quanto às premiações e a quantificação da qualidade de um objeto. Gosto é um atributo pessoal e estabelecer se algo ou alguém é melhor é um exercício que serve para premiar o esforço de um determinado grupo ou pessoa. O Oscar serve ao interesse da indústria americana e seu sistema de estrelato, em constante renovação e adaptação às novas demandas de mercado. Portanto o título de vencedor configura-se enquanto uma chancela que confirma o “padrão de qualidade” de uma produção selecionada entre milhares de  candidatos possíveis.

Com a divulgação dos concorrentes ao Oscar 2010 temos um indicio do quão acirrada será a disputa entre Avatar e Guerra ao Terror, filmes que lideram as estatísticas com 9 indicações cada. Contudo apenas duas categorias despertam forte atenção, justamente, as mais importantes da glamorosa noite – Melhor Filme e Melhor Diretor. A re-estruturação da categoria Melhor Filme parece adequada se pensarmos na queda de audiência que o evento teve nas últimas décadas, porém, mesmo com a inserção de 5 filmes é evidente que uma lista como esta restrinja seus favoritos à apenas duas ou três produções. Nos corredores da academia ainda sobram insatisfeitos que lamentam a ausência no ano anterior de O Cavaleiro das Trevas e de Christopher Nolan nas categorias citadas.

Algumas produções que seriam comumente preteridas ganham ao menos a chance de concorrer ao prêmio na 82º edição do Oscar, elevando a curiosidade do público. Obviamente toda a atenção estará voltada para Avatar e seu diretor, James Cameron, visto que tecnicamente algumas estatuetas já foram grafadas com o nome de integrantes da produção. A alta tecnologia empregada em Avatar pode ter como obstáculo um filme envolvente, que trata com muita propriedade de um tema ambíguo para a sociedade americana – A Guerra. Guerra ao Terror, filme até pouco desconhecido do público brasileiro apareceu com destaque na premiação da Associação dos Diretores de Hollywood, fato que coloca em dúvida a supremacia do povo Na’vi na premiação do próximo dia 07/03. Embora seja um rival à altura, Guerra ao Terror perde no quesito marketing e tecnologia, visto que não causou frisson global e nem faturou tão alto quanto seu principal concorrente.

A incógnita parece grande, se Avatar ganhar o prêmio de Melhor Filme talvez o posto de Melhor Direção fique justamente com Kathryn Bigelow, ex-mulher de Cameron, pelo ótimo trabalho em Guerra ao Terror. Porém sinto que Avatar provocará um tsunami digno de afundar um Titanic. O que parece certeza entre todas as indicações, excluindo as técnicas, padece sobre o ganhador dos prêmios de atuação coadjuvantes. Dificilmente Christoph Waltz não levará para casa o Oscar de melhor ator, o mesmo acontecendo com Mo’nique na categoria feminina. Se prevalecer o interesse da indústria, Avatar será o grande vencedor da noite, fato que premia não só a equipe envolvida com a produção mas também os espectadores encantados com o artefato tecnológico de Cameron. Deixando as previsões de lado ficaria imensamente feliz se The Hangover (Se beber, não case) repetisse a vitória do Globo de Ouro, faturando o principal prêmio da noite, contudo o cômico filme não apareceu entre os indicados da Academia.

Seguem minhas previsões:

Melhor Filme

”Avatar”
“The Blind Side”
“Distrito 9”
“Educação”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”
“A Serious Man”
“Amor sem Escalas”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor Diretor

Kathryn Bigelow (“Guerra ao Terror”)
James Cameron (“Avatar”)
Jason Reitman (“Amor Sem Escalas”)
Quentin Tarantino (“Bastardos Inglórios”)
Lee Daniels (“Preciosa”)

Melhor Ator

Jeff Bridges (“Coração Louco”)
Morgan Freeman (“Invictus”)
Jeremy Renner (“Guerra ao Terror”)
George Clooney (“Amor Sem Escalas”)
Colin Firth (“A Single Man”)

Melhor Atriz

Sandra Bullock (“Um Sonho Possível”)
Meryl Streep (“Julie & Julia”)
Carey Mulligan (“Educação”)
Helen Mirren (“The Last Station”)
Gaboury Sidibe (“Preciosa”)

Melhor Ator Coadjuvante

Christoph Waltz (“Bastardos Inglórios”)
Woody Harrelson (“O Mensageiro”)
Matt Damon (“Invictus”)
Stanley Tucci (“Um Olhar do Paraíso”)
Christopher Plummer (“The Last Station”)

Melhor Atriz Coadjuvante

Mo’Nique (“Preciosa”)
Anna Kendrick (“Amor Sem Escalas”)
Vera Farmiga (“Amor Sem Escalas”)
Maggie Gyllenhaal (“Coração Louco”)
Penelope Cruz (“Nine”)

Melhor Roteiro Original

Quentin Tarantino (“Bastardos Inglórios”)
Mark Boal (“Guerra ao Terror”)
Joel e Ethan Coen (“Um Homem Sério”)
Alessandro Camon e Oren Moveman (”O Mensageiro”)
Bob Peterson e Pete Docter (“Up – Altas Aventuras”)

Melhor Roteiro Adaptado

Jason Reitman e Sheldon Turner (“Amor Sem Escalas”)
Neill Blomkamp (“Distrito 9”)
Nick Hornby (“Educação”)
Geoffrey Fletcher (“Preciosa”)
Jesse Armstrong, Samon Blackwell, Armando Iannucci e Tony Roche (“In the Loop”)

Melhor Animação

“Coraline e o Mundo Secreto”
“O Fantástico Sr. Raposo”
“A Princesa e o Sapo”
“The Secret of Kells”
Up – Altas Aventuras

Melhor Direção de Arte

Rick Carter, Robert Stromberg, Kim Sinclair (“Avatar”)
Dave Warren, Anastasia Masaro, Caroline Smith (“O Mundo Imáginário do Dr. Parnassus”)
John Myhre, Gordon Sim (“Nine”)
Sarah Greenwood, Katie Spencer (“Sherlock Holmes”)
Patrice Vermette, Maggie Gray (“The Young Victoria”)

Melhor Fotografia

Mauro Fiore (“Avatar”)
Bruno Delbonnel (“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”)
Barry Ackroyd (“Guerra ao Terror”)
Robert Richardson (“Bastardos inglórios”)
Christian berger (“A Fita Branca”)

Melhor Figurino

Janet Patterson (“Bright Star”)
Catherine Leterrier (“Coco Antes de Chanel”)
Monique Prudhomme (“O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”)
Colleen Atwood (“Nine”)
Sandy Powell (“The Young Victoria”)

Melhor Documentário

“Burma VJ”, de Anders Østergaard and Lise Lense-Møller
“The Cove”
Food, Inc.“, de Robert Kenner and Elise Pearlstein
“The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers”, de Judith Ehrlich and Rick Goldsmith
“Which Way Home”, de Rebecca Cammisa

Melhor Documentário de Curta-metragem

“China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province”, de Jon Alpert e Matthew O’Neill
“The Last Campaign of Governor Booth Gardner”, de Daniel Junge e Henry Ansbacher
“The Last Truck: Closing of a GM Plant”, de Steven Bognar e Julia Reichert
Music by Prudence“, de Roger Ross Williams e Elinor Burkett
“Rabbit à la Berlin”, de Bartek Konopka e Anna Wydr
Melhor edição

Stephen Rivkin, John Refoua e James Cameron (“Avatar”)
Julian Clarke (“Distrito 9”)
Bob Murawski e Chris Innis (“Guerra ao Terror”)
Sally Menke (“Bastardos Inglórios”)
Joe Klotz (“Preciosa”)

Melhor Maquiagem

Aldo Signoretti e Vittorio Sodano (“Il Divo”)
Barney Burman, Mindy Hall e Joel Harlow (“Star Trek”)
Jon Henry Gordon e Jenny Shircore (“The Young Victoria”)

Melhor Trilha Original

James Horner (“Avatar”)
Alexandre Desplat (“O Fantástico Sr. Raposo”)
Marco Beltrami e Buck Sanders (“Guerra ao Terror”)
Hans Zimmer (“Sherlock Holmes”)
Michael Giacchino (“Up – Altas Aventuras”)

Melhor Canção Original

“Almost There”, de “A Princesa e o Sapo” (Música e Letra de Randy Newman
“Down in New Orleans”, de “A Princesa e o Sapo” (Música e Letra de Randy Newman
“Loin de Paname”, de “Paris 36” (Música de Reinhardt Wagner; Letra de Frank Thomas)
“Take It All”, de “Nine” (Música e Letra de Maury Yeston)
The Weary Kind (Theme from Crazy Heart)”, de “Louco Amor” (Música e Letra de Ryan Bingham e Tibone Burnett)

Melhor curta de animação

“French Roast”, de Fabrice O. Joubert
“Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty”, de Nicky Phelan e Darragh O’Connell
The Lady and the Reaper (La Dama y la Muerte)”, de Javier Recio Gracia
“Logorama”, de Nicolas Schmerkin
“A Matter of Loaf and Death”, de Nick Park

Melhor Curta-metragem de Ficção

“The Door”, de Juanita Wilson e James Flynn
“Instead of Abracadabra”, de Patrik Eklund e Mathias Fjellström
“Kavi”, de Gregg Helvey
“Miracle Fish”, de Luke Doolan e Drew Bailey
The New Tenants“, de Joachim Back e Tivi Magnusson

Melhor Edição de Som

Christopher Boyes e Gwendolyn Yates Whittle (“Avatar”)
Paul N.J. Ottosson (“Guerra ao Terror”)
Wylie Stateman (“Bastardos Inglórios”)
Mark Stoeckinger e Alan Rankin (“Star Trek”)
Michael Silvers and Tom Myers (“Up – Altas Aventuras”)

Melhor Mixagem de Som

Christopher Boyes, Gary Summers, Andy Nelson e Tony Johnson (“Avatar”)
Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett (“Guerra ao Terror”)
Michael Minkler, Tony Lamberti e Mark Ulano (“Bastardos Inglórios”)
Anna Behlmer, Andy Nelson e Peter J. Devlin (“Star Trek”)
Greg P. Russell, Gary Summers e Geoffrey Patterson (“Transformers: A Vingança dos Derrotados”)

Melhor Filme Estrangeiro

“Ajami” (Israel)
“El Secreto de Sus Ojos” (Argentina)
“A Teta Assustada” (Peru)
“O Profeta” (France)
“A Fita Branca” (Alemanha)

Melhores Efeitos Visuais

Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones (“Avatar”)

Dan Kaufman, Peter Muyzers, Robert Habros e Matt Aitken (“Distrito 9”)

Roger Guyett, Russell Earl, Paul Kavanagh e Burt Dalton (“Star Trek”)

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