Perdi a conta do número de filmes que assisti este ano. Fato que deixou o exercício abaixo extremamente difícil. Para a escolha tive por base as produções lançadas e vistas esse ano no nosso país. Portanto perceberão que boa parte dos filmes citados pode ser de 2008, mas que aparecem na seleção pelo atraso já conhecido das nossas distribuidoras. Se fosse escolher os filmes que mais me chamaram a atenção neste ano ficaria com três: Anticristo (Lars Von trier), Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino) e Avatar (James Cameron), respeitando a ordem de lançamento dos mesmos. Porém como listas envolvem o gosto pessoal pode ser que achem  surpresas com alguma produção que sequer tenham ouvido falar. Mas é justamente por isso que divulgo as obras abaixo, como indicação para quem andou meio perdido nos cinemas este ano.

FELIZ 2010!

GUERRA AO TERROR – KATHRYN BIGELOW

O filme passou despercebido no Brasil com o título vago de Guerra ao Terror. Mas quem teve a sorte de ver The Hurt Locker percebeu que a produção não é apenas mais um filme sobre a guerra do Iraque. O desenvolvimento dramático ganha força com a ausência daquele patriotismo tolo que atrapalha o gênero. A tensão permanece  em todo o filme já que o mergulho é em um território extremamente perigoso e desconhecido. A explosão é iminente e as atuações enriquecem o ótimo roteiro.

ANTICRISTO – LARS VON TRIER

Que história é essa de anti-prêmio? Bom a idéia não foi minha e sim do Júri Ecumênico do Festival de Cannes ao dar ao filme AntiCristo do dinamarquês Lars Von Trier o chamado anti-prêmio. Não poderia deixar de lembrar da produção mais polêmica do ano. AntiCristo é um exercício artístico difícil de ser recomendado para alguém, tamanha violência psicológica que o filme transmite. Enfim preciso citá-lo mesmo sabendo que muitos o depreciarão. Lá no fundo nós carregamos alguma insanidade.

MICHAEL HANEKE – A FITA BRANCA

Não é de hoje que Haneke se destaca enquanto diretor. Premiado no último festival de Cannes com esta mesma produção, o austríaco mostra que é capaz de provocar tensão no espectador sem uso abusivo de violência. Para muitos A Fita Branca deve passar como um filme longo e chato mas para mim demonstra a qualidade técnica de Haneke, sujeito que definitivamente entra para o Hall dos grandes diretores de cinema.

NEILL BLOMKAMP – DISTRITO 9

Inverter a posição Bem x Mal entre Homens e Alienígenas, misturar e organizar diversas mídias (Ficção, Documentário e Telejornalismo) e jogar tudo isso no meio de Joanesburgo traz destaque ao Roteiro de Distrito 9, desenvolvido pelo estreante Neill Blomkamp. O filme consegue prender a atenção do espectador no que parece uma paródia tanto do cinema quanto do terrível regime de segregação racial experenciado pela África do Sul. Neill consegue ajustar bem o roteiro para um bom filme de ficção-científica, de baixo orçamento se comparado as outras produções do mesmo gênero.

HYE-JA KIM – MADEO

O indicado sul-coreano a estatueta de melhor filme estrangeiro do Oscar 2010 traz uma atriz a altura de seu título (Madeo = Mãe). O Filme é no mínimo estranho mas  tem uma atuação de destaque de Hye-ja Kim no papel de uma mãe capaz de tudo para defender o próprio filho. Hye-ja  consegue despertar pena e ira ao longo de todo o filme. Como dizia o velho deitado – Mãe é uma só!

JAMMIE FOXX – O SOLISTA

O diretor Joe Wright teve que frear e aconselhar muito Jammie Foxx durante as gravações de O Solista. Foxx encarnou o papel de tal forma que a equipe temeu pela saúde do ator. O resultado pode ser visto no ótimo, porém complicado desenvolvimento de um personagem esquizofrênico, morador de rua mas com uma aptidão musical que o levou até a Julliard School, uma das mais famosas escolas de música do mundo.

CRISTOPH WALTZ – BASTARDOS INGLÓRIOS

Inegável que este talvez tenha sido o papel da vida de Christoph Waltz, um austríaco que salvou o Coronel Hans Landa e impulsionou o último banho de sangue de Quentin Tarantino ao topo dos melhores filmes do ano. Tarantino quase desistiu do personagem por não localizar um ator que fosse fluente em todos os idiomas propostos nos diversos diálogos (Alemão, Francês, Inglês e Italiano), porém encontrou em Waltz um desenvolvimento dramático tão bom quanto a ciência lingüística. A verdade é que Waltz coloca os outros personagens do filme no chinelo participando das melhores seqüências da obra.

MIHAI MALAIMARE – TETRO

Se Tetro marca um novo retorno para Francis Ford Coppola, destaca-se sobretudo pelo primor fotográfico. O último filme do diretor norte-americano é em preto-e-branco mas com flashbacks coloridos, inversão diegética muito bem trabalhada ao longo da obra por Mihai Malaimare Jr.

HERVÉ DE LUZE – ERVAS DANINHAS

Não deve ser fácil editar as produções do diretor francês Alain Resnais. Porém Hervé de Luze é um velho conhecido do cineasta e mais uma vez faz um trabalho sóbrio ao deixar a nova produção inteligível, tamanha variação sonora e fotográfica encontrada no decorrer do filme.

O EQUILIBRISTA – JAMES MARSH

O que impulsiona um homem a andar num cabo de aço entre as duas torres do World Trade Center? Qual seu interesse, motivos? Quem é esse homem? Como realizou tamanha proeza? Tais respostas aparecem em O Equilibrista, documentário que varre o planejamento de Philippe Petit até a execução da então inimaginável travessia.

KRAKED UNIT – PARIS

O título de melhor trilha-sonora vai para Kraked Unit pela composição da trilha de Paris do diretor Cédric Klapisch, visto que as composições se ajustam perfeitamente ao ritmo da obra e a bela fotografia da Cidade das Luzes.

AVATAR – JAMES CAMERON

Não seria justo não dar o título ao filme de James Cameron. O diretor esperou mais de 10 anos para que a tecnologia fosse capaz de atender as suas expectativas. Pela reação mundial a espera valeu a pena. Avatar é um primor tecnológico, bem a frente dos seus principais concorrentes neste ano.

VALSA COM BASHIR – ARI FOLMAN

Ari Folman desenvolve um filme denso, dramático. A animação Valsa com Bashir reúne traços e cores que se adéquam a tragédia retratada. Se filmado enquanto documentário convencional talvez o filme não tivesse o apelo que tem enquanto animação documental.

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA – LAURENT CANTET

A categoria é nova e visa retratar algum filme que possa contribuir para a reflexão de educadores. Entre os Muros da Escola apresenta uma escola francesa localizada na periferia de Paris, logo um dos professores participará de um grave conflito que trará grandes questionamentos a instituição.

FRINGE – FOX

Fringe, mais uma boa sacada do produtor J.J. Abrams. A série baseia-se em diversos eventos estranhos, investigados pelo FBI. Até o momento nenhuma novidade, a diversão fica por conta dos diálogos e arquétipos dos personagens envolvidos na trama.

LAST NAZIS – BBC

Ainda existem nazistas soltos por aí? Senhores de aproximadamente 90 anos de idade que permanecem impunes? A BBC desenvolve uma série em três episódios que investiga o paradeiro dos últimos fugitivos do cruel regime de Adolf Hitler. Boa série que fomenta diversas reflexões sobre a caçada e destino  dos envolvidos na barbárie.

LIZ – OS SATYROS

Se fosse escolher uma peça de teatro marcante este ano, escolheria minha própria produção – Olhares. Mas como tenho humildade suficiente passo o prêmio para Liz pelo ótimo texto, figurino e interpretação dos atores da Companhia Os Satyros.

ANO DA FRANÇA NO BRASIL

Não deu para escapar do Ano da França no Brasil. Com eventos em todo o país conseguimos conhecer melhor uma nação tão influente na nossa cultura. Pela bela organização foi o evento de destaque neste ano.

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SELEÇÃO INTERNACIONAL

O Mundo é Grande e a Salvação Espreita ao Virar a Esquina (Bulgária)

A Teta Assustada (Peru)

Amantes (EUA)

Casamento Silencioso (Romênia)

Almoço em Agosto (Itália)

Alga Doce (Polônia)

Home (Suiça)

Há Tanto Tempo que Te Amo (França)

A Criada (Chile)

A Partida (Japão)

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SELEÇÃO NACIONAL

A Deriva (Heitor Dhalia)

Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Karim Ainouz e Marcelo Gomes)

É Proibido Fumar (Anna Muylaert)

Salve Geral (Sérgio Rezende)

Jean Charles (Henrique Goldman)

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