Não assisti ao filme de Abel Ferrara para emitir qualquer comparação com Vício Frenético, última produção de Werner Herzog. Aliás várias entrevistas cômicas envolveram o lançamento do filme do diretor alemão, que entre algumas declarações jurou não ter visto o filme de Ferrara, desconhecendo a existência do mesmo. Herzog enfatizou que o melhor seria ignorar a versão anterior para não sofrer qualquer influência no desenvolvimento do roteiro, porém para muitos críticos a comparação é inevitável. A pergunta que não cala – Qual o melhor?

No filme de Herzog somos transportados para Nova Orleans, cidade arrasada pelo furacão Katrina, porém o local é só uma adaptação temporal que pouco contribui para a trama. O fato mais interessante estará no anti-herói Terence McDonagh (Nicolas Cage), um policial viciado que conduzirá a investigação de um homicídio onde os principais suspeitos são traficantes de drogas. Para completar o submundo, Terence namora Frankie (Eva Mendes), uma prostituta de luxo, sempre presente na hora de dividir o trago ou o . Entre inúmeros planos, os mais cômicos serão os que o policial sofrerá alucinações.

O filme fica divertido com a falta de limites de Terence para satisfazer a própria abstinência. Quando drogado, o policial encontrará iguanas, animais que são parte de um conjunto natural que Herzog insere na narrativa. Talvez uma das melhores cenas do filme seja a do crocodilo observando seu par atropelado na rodovia, como se lamentando uma perda, fato totalmente dispensável para a história mas que revela uma pitada de criatividade do diretor alemão. O Humor Negro é um dos principais atrativos da obra assim como a aproximação de Terence dos vilões, demonstrando sua imensa fraqueza enquanto policial.

Tenho que revelar que o mais intrigante é ver Werner Herzog por trás de um filme como este, sem julgar a qualidade da obra. Contudo uma produção americana com poucas possibilidades para o diretor transpor sua imensa criatividade, constatada nos diversos filmes das décadas de 70 e 80. Seria um caso onde o dinheiro teria falado mais alto? Perguntas a serem esquecidas, assim como o filme que prima pela recuperação de Nicolas Cage em uma atuação mediana, porém superior se comparada aos péssimos filmes que o ator vinha participando anteriormente.

Talvez o filme surpreendesse critíca e público se o papel de Terence fosse do genial melhor inimigo de Werner – Klaus Kinski. Porém o genêro é policial e ficaria dificil ressuscitar Klaus para salvar Herzog. Vicio Frenético busca um clima Noir, longe de ser encontrado, tornando-se extremamente comum e decepcionante para quem conhece “El Loco” Herzog. Werner perdeu um pouco da forma, agora é torcer para que “My Son, My Son, What Have Ye Done” seja melhor e não apenas uma pergunta a ser destinada ao próprio diretor em relação a sua brilhante carreira.

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