Semana passada corri com uma amiga até a FAAP com medo de perder a exposição dos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, dupla internacionalmente conhecida como OSGEMEOS. Citei o belo trabalho de ambos no começo do ano quando defendi o grafite do inglês Banksy pelas ruas londrinas. Na ocasião defendi o grafite como meio de expressão artística elogiando o reconhecimento que grafiteiros estavam recebendo nos últimos anos. Porém algo me indignava – como uma dupla tão talentosa, com trabalhos expostos nas principais cidades do mundo seria tão pouco conhecida no país de origem?

Logo pensei que o motivo para tal fosse nossa mídia deficiente ou quem sabe a falta de patrocínio e espaço para que um expositor bancasse as possíveis instalações. Diria que a segunda alternativa balançou com a mostra organizada pela Fundação Armando Álvares Penteado. Em Vertigem, a dupla OSGEMEOS mergulha no próprio universo, antes solto entre as paredes urbanas e agora preso a personagens amarelos em um espaço trancado por uma bela imaginação pictórica. Na exposição há o contraste do que parece real, exemplificado na simplicidade de um cômodo com diversos apetrechos, com o que por vezes parece surreal como no caso dos personagens que brotam pelas paredes.

Não existe apenas o grafite, a arte se expandira para o artesanato, a música e outras vertentes. Talvez por isso o título Vertigem, já que caímos em um ambiente extremamente rico e agradável para refletir. A influência do movimento surrealista parece forte com imagens que provocam diversas interpretações – Teria o violão derretido, alguma semelhança com os relógios em mesmo estado de Salvador Dalí? Talvez, mas em um universo tão novo fica difícil perder tempo com qualquer tipo de comparação abstrata. O melhor é participar da brincadeira e tentar passar pelo pequeno vão do barco ou tocar a partitura que acompanha as teclas de um Acordeon.

Nossos amigos amarelos parecem presos a um tempo específico, por alguns instantes estão num cotidiano humilde e em outros dividem a cena com o caos urbano como na imagem que acompanha esta postagem. A exploração fica mais divertida quando percebemos que existem outras imagens dentro daquela definida como principal. Uma pena que tudo acabe tão rápido. Fico feliz ao finalmente ver a exposição da dupla recebendo o merecido destaque mesmo que encarcerada pelo olhar crítico. Que os grafites artísticos continuem pelos muros urbanos até que ninguém ouse passar uma mão de tinta na criatividade alheia.

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