Vale a pena desconfiar das produções envoltas por grandes campanhas de Marketing, já que por vezes o que está na embalagem não condiz com o referido produto. Eis o caso de Atividade Paranormal, filme que causou estardalhaço nas bilheterias norte-americanas e que chega as salas brasileiras neste final de semana. Produção de baixo orçamento, Atividade Paranormal requenta a fórmula de A Bruxa de Blair, investindo na lei dogmática da câmera na mão e no discurso no qual a ficção é pura realidade. O trailer que centra parte da atenção na feição assustada de um grupo de espectadores faz parte da estratégia de um filme que cogita ser o melhor do gênero terror neste século.

Tal propaganda seduziu muitas pessoas, inclusive este que vos escreve. O que observamos no ínicio do filme é a exposição da intimidade de um casal preocupado com os eventos estranhos que cercam o novo domicilio. O investimento em uma câmera digital ajudaria ambos no registro do que ocorre durante as noites de insônia e medo. Rapidamente a montagem com recortes excessivos desmantela o caráter documental da obra, dividida entre gritos e silêncios. O problema é que quando a personagem silenciava e perguntava a outra se estava ouvindo algo, nós espectadores éramos engolidos pelas ondas do trágico 2012 da sala ao lado.

Talvez o mais interessante na produção seja a relação afetuosa entre  Micah e a Câmera, objeto que por vezes é mais importante que a própria namorada. A lente que inicialmente serve de entretenimento para o casal, logo será o meio que comprovará a existência de alguma entidade sobrenatural na residência. Enquanto Katie quer exterminar o problema, seu namorado quer comprová-lo empiricamente, para tal eis que existem as principais tecnologias que compõem o registro audiovisual – microfone, gravador e computador além da própria câmera. O velho confronto da ciência versus o inexplicável.

Pela enésima vez a mulher é a culpada pela instalação demoníaca, visto que Katie, a possuída pelo fantasma (que jamais veremos a não ser através da movimentação de outros objetos) é a mais sensível aos sinais que a acompanham desde a infância. Os recursos para assustar o espectador são similares aos de A Bruxa de Blair. A câmera trêmula quando fixa é o primeiro aviso de que algo pode ocorrer e no silêncio aguardamos a vinda do fantasma que bate portas e acende luzes como um hóspede indesejado. Esperei ansiosamente pelo susto que não levei.

O filme do estreante Oren Peli é fraco e enganador, um terror nada original que segundo as más linguas recebeu orientações de Steven Spielberg quanto ao final para que uma provável continuação fosse possível. A sequência de Atividade Paranormal está prevista para 2012, ano que o cinema já decretou como o último da humanidade. Pelas duas últimas produções que acompanhei (Drag Me to Hell), o gênero terror passa por uma imensa crise, falta criatividade em filmes que categorizo enquanto comédias de tão pobres. Saí assustado da sala ao perceber como a estratégia de Marketing pode contribuir para o sucesso de um fracasso. Acompanhei alguns da sala que riram ao final e vociferaram – Quero meu dinheiro de volta!

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