vincere

Vencer do diretor italiano Marco Bellocchio inicia sua jornada de um modo peculiar – o desafio que Benito Mussolini (Filippo Timi) faz a Igreja Católica, contestando a hipótese de qualquer existência divina. O momento histórico antecede a Primeira Guerra Mundial e tal desafio emerge Mussolini a uma posição de destaque. Entretanto a principal briga do então jornalista é ofuscada por Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno), mulher que se apaixona pelo futuro Dulce. Em um gesto impulsivo Ida vende todos os bens para financiar o panfleto socialista de seu amante, o Popolo d’Itália.

Logo as convicções socialistas impactarão em uma Itália confusa, prestes a entrar na Grande Guerra, é neste momento que Ida perderá sua grande paixão de vista. Mussolini parte para a Guerra após ser expulso do Partido Socialista Italiano. Ao voltar do conflito, Benito parece não se importar com sua amante e filho casando-se com Rachele (Michela Cescon). Nesse período o Dulce começa a organizar um grupo que logo tomará a frente do país propagando ideais nacionalistas, eis a base do movimento fascista com a fátidica proclamação de Mussolini a Primeiro Ministro com plenos poderes.

Uma história um tanto parecida com a trajetória de Adolf Hitler logo desembarcará  no sofrimento de Ida, internada em um manicômio católico por se auto-proclamar como esposa do Dulce. Convicta de sua posição como primeira-dama, Ida não volta atrás na sua decisão, fato que poderia ser a garantia de liberdade e proximidade com o filho, afastado da própria mãe. O choque entre Mussolini e a Igreja vira aliança pela Concordata de São João Latrão, termo que coloca o catolicismo como religião oficial da Itália com a fundação do Estado do Vaticano. Eis uma polêmica que a Igreja não gosta de abordar – o aparente silêncio da Instituição durante a Segunda Guerra Mundial.

O filme de Bellocchio mistura imagens de arquivo em preto-e-branco com a reconstituição histórica em cores, fato que cai bem a narrativa que em alguns momentos toma ares de cine-jornal, rememorando diversas propagandas nacionalistas. Dessa forma a fotografia e a montagem são destaques em uma produção que as vezes beira ao melodrama mexicano. O drama por vezes irrita o espectador ao nos questionarmos – “Mas ela não sabe o quão canalha é Mussolini?” A resposta parece próxima do não, visto que na paixão o olhar sobre o outro sofre grande transformação. Se ainda viva para presenciar e digerir as atrocidades cometidas por Benito Mussolini talvez a opinião fosse diferente.

O filme resgata a história daquele que muitas vezes está a sombra de outros líderes como Josef Stalin e Adolf Hitler. Com a  presença de Mussolini há a formação de um trio de ditadores caracterizados pela insanidade e derramamento de sangue. Esta foi a primeira produção em que vi a reconstituição da vida particular do Dulce italiano, precisamos de mais filmes do genêro para digerir outros temas além do nazismo. Bellochio faz um filme que deve ganhar grande importância com o tempo, por tratar uma história particular na atual conjuntura política italiana – Agora o país presencia os escândalos de outro grande canalha – Silvio Berlusconi.

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