strauss

Certa vez meu orientador de mestrado contou uma história engraçada. O genial Claude Lévi-Strauss fora questionado por um entrevistador – Sr. Claude, se a máquina do tempo existisse, qual o período histórico que o senhor gostaria de conhecer, visitar? Incomodado com tal questionamento Lévi-Strauss responde – Nenhum! Eis que o entrevistador retruca – Por que? E então a surpresa – Pois veriamos que toda a teoria que temos sobre as sociedades não condiz com a “realidade” construída pelo nosso tempo, perceberíamos que estávamos todos errados sobre tal passado. A aparente brincadeira de Lévi-Strauss traz diversos questionamentos quanto a contrução histórica e os rumos de agumas ciências ligadas a História e própria Antropologia.

Hoje recebo a triste notícia do falecimento aos 100 anos daquele que no meio acadêmico é mais do que uma simples referência. Claude é pai da antropologia estruturalista e um dos principais teóricos do século passado. A relação de Lévi-Strauss com nosso país é forte, já que parte de suas principais pesquisas foram realizadas junto a grupos índigenas brasileiros. Strauss ajudou a erguer a recém-fundada Universidade de São Paulo, lecionando sociologia. Que honra para a USP! Um brinde para um dos homens que apresentou ao mundo a proximidade que os povos indígenas tem com nossa sociedade que clama ser tão “avançada”. Strauss balançou o termo cultura desbravando espaços ainda desconhecidos pela ciência. Se o seu corpo veio a falecer, suas idéias serão imortais. Que descanse em paz, tomando um café em outro universo com o amigo Sartre.

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