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Estava ansioso para ver o filme pelo qual muitos suspiraram no último Festival de Cannes. A Procura de Eric, novo filme de Ken Loach traz o aposentado Eric Cantona como um personagem “fictício”, fruto da imaginação de outro Eric, este um sujeito mergulhado em conflitos familiares e que busca no ídolo possíveis respostas para as dificuldades do cotidiano. O titulo produz diversas interpretações, tal procura seria de Eric Bishop por uma motivação existencial, visto que no ínicio demonstra grande frustração com a vida e seu rumo, ou seria por Eric Cantona, ídolo francês conhecido pela atuação no futebol inglês?

Um Poster de Eric Cantona enfeita a parede de Bishop que conversa com a imagem como se ela respondesse suas frustrações, logo Cantona, figura do passado, conhecido pelos replays se apresentará ao nosso personagem principal, enquanto seus filhos causam diversos conflitos na típica fase adolescente. O filme de Loach frustra por não apresentar qualquer elemento que impulsione a narrativa, a produção peca pela simplicidade e pelo convencional, uma linguagem dramática viciada onde o problema familiar é superado ao final com pouco esforço na re-aproximação de Bishop com a ex-esposa, abandonada na fase de gravidez.

Cantona aparece como o grande ídolo, um boleiro que pouco tem a acrescentar quanto as questões familiares, visto que a maioria dos diálogos que participa são compostos de elementos de ditados populares ou de senso comum. Interessante a exposição de que seu lance mais bonito no futebol seria um passe para o gol de outro jogador, uma típica fuga do ego. A impressão é que apesar da história de Cantona, o papel poderia ser atribuido a qualquer outro jogador de destaque no futebol. Bishop admira Cantona pelo fato deste ter participado daquele que seria o melhor momento de sua vida, período onde a responsabilidade era pequena e a diversão garantida.

Com o avanço dos anos Bishop se torna um sujeito vazio que tem dois enteados sob sua responsabilidade, ambos adolescentes. A filha aparece posteriormente com a neta que fica com Bishop em alguns períodos, fato que conduz a re-aproximação com a ex-mulher abandonada. O núcleo narrativo preso a Cantona, logo se vira para um dos enteados envolvido com uma turma de bandidos. Loach desenvolve o mais do mesmo, aos adolescentes é transferida toda rebeldia, enquanto Bishop tenta se encontrar no meio das próprias dúvidas.

O final conduz a uma cena chamada de Operação Cantona, ação que lembra os filmes pastiches da Sessão da Tarde, algo que de ínicio pode provocar risos mas que não encanta assim como o próprio filme de Loach que parece ter perdido o que procurava.

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