mann

No final dos anos 80 e ínicio dos 90 do século passado, tinha contato com os mais badalados filmes de ação hollywoodianos. Explodia uma casa e lá estava Mel Gibson e Danny Glover em Máquina Mortifera. Despencava um avião com terroristas e entre os passageiros estava Bruce Willis em Duro de Matar. Se o tráfico contaminava Detroit Eddie Murphy aparecia em Um Tira da Pesada. O mundo estava ameaçado por ciborgues e Arnold Schwarzenegger voltava ao passado em O Exterminador do Futuro 2. Com o tempo esse universo catastrófico desapareceu da minha rotina cinematográfica. Ah se meus anos noventa fossem de Kieslowski!

Ah quem diga que o genêro de ação/policial norte-americano tenha ganho outro fôlego nas mãos de Michael Mann, diretor já conhecido pelo ótimo trabalho em O último dos Moicanos (1992), adaptação de um romance que de policial só teria a crueldade demonstrada nos confrontos físicos. Porém será em Fogo contra Fogo (1995) que Mann começará a caminhar pelo cinema de ação com um casting que contará com Al Pacino e Robert de Niro, dois atores acostumados a chumbo grosso. Mann não tem vergonha de fazer um filme com 170 minutos, tempo que ele usa bem no desenvolvimento da narrativa.

Os primeiros índicios de um cinema de cunho autoral viriam 10 anos mais tarde com Collateral. Nesse caso específico, utilizo o termo autoral para demonstrar certas particularidades do diretor que se afastam da grande indústria, apesar de ser parte dela. Mann consegue dar intensidade dramática a suas produções, ao contrário do esperado, cada tiro tem uma razão para ocorrer, balas não são desperdiçadas. A montagem e posições de camera são outro trunfo de Mann que parece estar bem adaptado ao gênero.

Mann é Pop, gosta de usar as gírias e músicas da época em questão. Tanto em Collateral quanto no posterior Miami Vice percebemos a voz de Chris Cornell e sua então Audioslave rasgando algumas cenas e servindo de leitmotiv musical. Os filmes que se encaixam tão bem para uma época são futuras incógnitas, será que o elogio valerá ou a obra ficará para trás como uma velha saudade do cinema de ação e sua proximidade com a cultura de massa? Talvez o público esteja mais exigente, mesmo assim precise de uma linguagem próxima a qual foi exaustivamente encucado.

O herói fica de lado, a vez é do anti-herói. Somos todos corruptos e o melhor é assumir os defeitos. Os personagens de Mann não tem vergonha de apresentar fraquezas. Quem sabe o gênero não esteja de fato ganhando novo fôlego. Algumas vezes é bom ver um filme de suspense/ação como passatempo. Entre os vazios, pirotécnicos e catastróficos Michael Bay e Roland Emmerich, a minha preferência recai sobre Michael Mann.

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