pittarantino

Algumas vezes saio do cinema confuso, procurando resposta para uma dúvida comum a todos espectores – Gostou? O questionamento de ordem pessoal parece uma obrigação perante nós e os demais que buscam opiniões sobre o desconhecido. O julgamento precisa ser simultâneo ao ínicio dos créditos, olhares perdidos são comuns para quem está envolvido com tantas obras, mas não há como fugir. Percebo que a medida que os referenciais crescem fica mais dificil exercer uma análise pontual e objetiva. Este foi o principal sentimento ao término da sessão de Bastardos Inglórios, novo filme de Quentin Tarantino.

Bastardos começa bem, com a visita do Coronel Hans Landa (Cristoph Waltz) a uma família de camponeses franceses em plena Segunda Guerra Mundial. A situação investigativa se desenrola paulatinamente até chegar ao ápice, cena cortada e avançamos alguns anos entre capítulos, divisão comum em outras produções do diretor. Quentin brinca desde o príncipio com a montagem do filme com a adoção de diversas fontes para apresentar os atores e uma trilha-sonora distante historicamente do período descrito. Flashbacks curtos interrompem a linearidade da obra, algo que fere a imaginação do espectador.

A honestidade de Bastardos Inglórios encanta, filmes sobre grandes períodos históricos tendem ao erro de fidelizar a época, o pano de fundo costuma ser o mesmo, o que muda é a história desenvolvida. Tarantino parece despreocupado com a linha do tempo “real”, é esperto para perceber que o cinema é ficção, independente da construção utilizada. O filme faz diversas citações a outras obras e diretores, fato que só evidencia o caráter enciclopédico de Quentin, um velho amante da sétima arte.

O filme brinca com personagens caricaturais. Christoph Waltz atropela os demais com um oficial que parece mesclar a comicidade de um Inspetor Clouzot com a sagacidade de um Sherlock Holmes. Brad Pitt (Aldo Raine), o mais caricatural, excede com um sotaque texano a la James Stewart nos inesquecíveis filmes Western e com um rosto travado que me recordou Marlon Brando em O Poderoso Chefão. O brilho de Waltz salva Pitt ao final, já que será o encontro de ambos uma das melhores passagens da produção.

O filme se constitui em uma grande homenagem ao cinema já que na sala escura teremos o Dia D. A crueldade nazista é ofuscada pelo grupo aliado, judeus sanguinários não exitam ao torturar, decapitar e fuzilar Adolf Hitler e seus representantes. A vingança tarda mas não falha, o espectador se contorce mas ao final vale tudo para salvar o mundo da grande ameaça  nazi-fascista. Tecnicamente temos um grande filme que vale como crítica ao cinema de guerra mas que fica engasgado na garganta.

A Segunda Guerra é um dos temas mais discutidos pela humanidade desde 1945 . Tortura, Tiros, Sangue e Morte são comuns a realidade e ficção, porém não me adapto a interpretações como a de Tarantino que em diversas passagens é violento gratuitamente e satírico. Minha mente ainda transborda memórias de Noite e Neblina do meu favorito Alain Resnais. O tema é distante então comecei a pensar como seria um filme de um grupo civil torturando militares e ditadores em nosso país. Quem sabe uma vingança na mesma moeda. Ao inverter e/ou construir posições sem reflexão corremos o risco de não evoluir hipnotizados pela estética e pela Arte.

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