polanski

Há 31 anos, o franco-polonês Roman Polanski foge de um crime do qual é réu confesso. Um erro do passado pelo qual ainda não prestou contas e que acompanha o diretor em todas as viagens para fora da França, país onde reside. Desta vez Polanski foi detido na Suiça, local onde receberia o prêmio pelo conjunto da obra no Festival Internacional de Zurique. Contudo o processo corre na corte norte-americana, país no qual Roman teria abusado sexualmente de uma jovem de 13 anos de idade em 1977. A possibilidade de extradição e julgamento é muito grande, visto que as autoridades americanas esperam há tempos pela oportunidade.

A vida pessoal do diretor ainda comporta outras histórias trágicas,  já que durante a infância o mesmo teve que lutar contra a deportação e os campos de concentração nazistas. Roman nasceu na França mas voltou muito jovem para a Polônia, terra natal de seus pais. O retorno próximo ao ínicio da Segunda Guerra Mundial marcaria a perda da mãe, deportada para um dos campos de extermínio do regime de Adolf Hitler. Na fase adulta, Polanski padeceu com o assassinato bárbaro da esposa Sharon Tate, grávida de 8 meses, pela família Manson.

Polanski permaneceu na Polônia pós Segunda Guerra, estudando na escola de cinema de Lodz, mesmo local onde Kieslowski e Wajda se formariam, constituindo assim um famoso grupo de cineastas poloneses. Conhecido por filmes como O Bebê de Rosemary (1968), Lua de Fel (1992) e O Pianista (2002), onde transportaria parte da sua infância na re-constituição do Gueto de Varsóvia, Polanski não pisa em solo americano com medo de ser preso desde 1978 . Com  o ótimo O Pianista, Roman ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2002 e o Oscar de melhor direção no ano seguinte. Porém não pôde comparecer na badalada cerimônia de Hollywood pelos motivos já descritos anteriormente.

Preso no aeroporto de Zurique e aguardando mobilização dos seus advogados, Polanski aguarda para saber qual será a próxima etapa de uma vida marcada por dramas pessoais e êxitos profissionais. A luta pela extradição será sobretudo política, já que a defesa usará todos os recursos para driblar o governo suiço e conseguir a liberação de Roman. Se conseguir voltar para a França, Polanski estudará muito bem os próximos convites e homenagens prestadas pelos festivais de cinema.

Há quem diga que devemos separar a vida pessoal da obra do artista, mas infelizmente é inevitável que Roman Polanski apareça esta semana nas páginas policiais. Olhar para uma obra de arte leva ao questionamento sobre sua autoria e esta gera curiosidades de cunho pessoal. Quem? Como? Por que? são perguntas comuns a todos nós. Não seria diferente com um famoso diretor de cinema. Independente do que possa ocorrer – a principal prisão de Roman Polanski é sua própria consciência.

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