district9

Tudo começa como um grande documentário, câmera no rosto dos entrevistados e muitas opiniões a respeito da principal notícia de Joanesburgo, África do Sul.   Entretanto logo percebemos que tal veracidade não passa de ficção quando os principais personagens envolvidos na situação são alienígenas, monstrengos que habitam um bairro da cidade após a nave apresentar um problema de percurso. Pouco importa se o destino final era o nosso planeta, eles estão aqui e precisam ser exterminados pela nossa supremacia.

O mais interessante em Distrito 9 do sul-africano Neil Blomkamp reside no transporte de um embate social para um filme de ficção-científica, para tal o uso da ficção-documentário cria elementos que dão sensação próxima ao real ao espectador. O fato de assistirmos uma segregação entre dois grupos distintos (ao final do filme são três) em plena África do Sul remete diretamente ao Apartheid, mesmo que o diretor tente evitar as comparações. Os alienígenas são uma camada social marginalizada que vive de restos e não produz riquezas ao sistema econômico.

Aparentemente os grupos viveram em harmonia por algum tempo mas o crescimento desordenado de ambos trouxe consequências. Wikus, o Anti-Herói do filme, é quem comanda a invasão ao Bairro 9 , que tem por objetivo limpar a cidade e transferir os aliens para outra região. O tiro sai pela culatra e o então chefe da operação da MNU (Sátira à ONU) entra em contato com material alienígena. O desafio do personagem passa a ser salvar a própria pele, independente do lado pelo qual esteja lutando. Ambos grupos são violentos, porém o de alienígenas parece mais dócil já que não tem o instinto sanguinário comum ao gênero em outros filmes.

Favela, campo de refugiados, seja qual for a denominação do Bairro 9, ele é um “problema” que atinge a todos, algo feio e asqueroso que precisa sumir das vistas de toda sociedade. Os alienígenas estão lá, e o que vem de fora parece ser o principal problema, a discussão da Xenofobia não fica apenas entre sul-africanos e aliens, já que Homens de outros países moram no mesmo distrito e sofrem  o mesmo preconceito. Eis o terceiro grupo, o de guerrilheiros nigerianos que controlam o Bairro 9 mesmo com a densidade demográfica contra.

Peter Jackson assina a produção e não dá para desmerecer o trabalho de marketing em torno da obra, um resgate do que aconteceu com A Bruxa de Blair, uma tentativa de dizer que aquilo era real e instigar o público a ir ao cinema. Os ótimos efeitos especiais não convencem sobre a existência  de vida alienígena, mas o roteiro deixa a dúvida sobre como tratamos o outro, seja ele desta cidade, país, continente ou quiçá planeta. Ainda é cedo pra saber o impacto de Distrito 9 entre os aclamados filmes de ficção-científica, mas algo é certo – esta idéia veio de outra galáxia.

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