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Não são todos que o admiram, mas entre democratas e republicanos fico ao lado de Michael Moore. Os documentários do diretor são partidários, a imagem é manipuladora porém a crítica a informação predominante é necessária. Melhor do que o disfarce hipócrita de documentarista neutro, Moore se posiciona de maneira irônica sobre os principais temas que afligem a sociedade americana. O diretor usa a mesma tática da televisão sensacionalista que tanto critica.

O medo dos grandes empresários e políticos fica para trás, em The Big One o diretor desafia Phil Knight, o até então presidente da NikeVamos construir uma fábrica da Nike nos EUAPor favor aumente a idade mínima dos trabalhadores na Indonésia para 16 anos. O apelo popular de Moore é o mesmo de uma sociedade que acompanha a perda das vagas de trabalho pela fuga das empresas para países com mão-de-obra barata e impostos inexistentes. O choque do público americano vem com a constatação – Os calçados da empresa norte-americana não são fabricados nos EUA.

Tiros em Columbine é um grande documentário. Moore atravessa a fronteira entre Estados Unidos e Canadá para mostrar aspectos culturais da violência e sua construção midiática. As cidades são vizinhas mas enquanto o lado estadunidense é dominado pelo terror, no Canadá as portas das residências permanecem abertas. O diálogo final com Charlton Heston, um confuso defensor do porte de armas, finaliza a obra provocando o espectador – Manter uma arma em casa é uma escolha democrática e/ou estúpida e perigosa?

Fahrenheit 9/11 pontua como a administração de George W. Bush levou o país a uma guerra econômica. As armas de destruição em massa continuam perdidas no Iraque enquanto poços de petróleo jorram lucros para as grandes empresas do setor. O líder da principal potência parece um Cowboy perdido no asfalto. Mais um cutucão de Michael nos eleitores que permitiram a extensão de um mandato polêmico e duvidoso.

Em Sicko temos a comprovação da situação agonizante do sistema de saúde norte-americano. Um homem mutilado precisa escolher qual dedo quer re-implantar, unindo a questão financeira e sentimental ele decide pelo dedo anelar. As empresas de saúde lucram com a falência do cliente, os pacientes sabem que ao adoecerem sentirão os efeitos colaterais no bolso. Na bula de Michael Moore, uma viagem com os enfermos de 11 de setembro para a “perversa” Cuba, uma referência na área de saúde.

As diversas desconstruções produzidas pelo diretor ajudam a perceber como os EUA tem uma visão romântica da própria existência. A aclamada América tem problemas similares aos principais países emergentes. Todos os grandes impérios da humanidade ruíram. Moore mostra as rachaduras daquele que com grande força tenta resistir ao fracasso. Capitalismo, Uma História de Amor foi apresentado dias atrás em Veneza, mais um tiro no sistema econômico que dita a vida de bilhões de pessoas.

Nesse mundo de opiniões prontas, devemos nosso agradecimento a Michael Moore por despertar a atenção para as crueldades sociais. A Manipulação da informação está por todos os lados, só um senso crítico apurado para sobreviver a tamanho bombardeio.

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