september

Mal cheguei da escola, cansado e com fome, minha mãe me recepcionou com a notícia de que dois aviões tinham acertado em cheio as torres do World Trade Center. Eu, em meus comportados 15 anos, um adolescente que se preocupava apenas em esconder as espinhas do rosto e o bigodinho por crescer, dei pouco valor à repercussão política, ideológica e social que o tal fato poderia gerar. Mesmo assim fiquei colado no sofá, a dois metros da TV. Pura curiosidade.

Não tinha noção alguma do que era World Trade Center. Lembro que perguntava para o âncora do jornal: “pôrra, mas a maior torre dos EUA não é o Empire States?” Pedia para o repórter confirmar, ao vivo, essa informação, que era algo que eu tinha estudado na 6º ou 7º, por aí. Me ative a isso nas primeiras horas de transmissão.

Parecia algo tão mágico, tão diferente que cheguei a torcer por não encontrarem o criminoso logo de cara. Poxa vida, o mundo parou, todos só falavam disso. Achei, à época, demais. Imaginei que seria legal estar lá, acompanhando todo aquele fuzuê, zombando dos soberbos e sabichões americanos. “Aí caralho, bem feito. Vocês se fud…” Talvez ter um amigo ou um parente próximo como vítima poderia ser bacana. Me tornaria o centro das atenções na escola. É mórbido, mas adolescente é um ser bipolar.

Pena que a repercussão durou pouco. Tinha que estudar. Na semana seguinte, um longo período de provas me aguardava.

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