up

Desconfiei quando divulgaram o nome do filme escolhido para a abertura do último Festival de Cannes. Como uma animação poderia ganhar tanto prestígio em um Festival de “Arte” ? Tenho que confessar que o trailer não empolgou mas decidi assistir a única estréia que chamou minha atenção nesta semana. A Pixar tem muitos créditos, por que não arriscar?

Up – Altas Aventuras está disponível em cópia dublada 3D em diversos cinemas de São Paulo.  Posso relatar que a experiência dimensional calou qualquer crítica prévia. Logo no ínicio fui coroado com o trailer de Avatar em 3D, o que me deixou mais ansioso para ver a obra futurista de James Cameron. Percebi a força com que a tecnologia 3D voltou, a profundidade e a sensação de estar mais próximo da obra finalmente atingiu o grau esperado.

Up começa com imagens da juventude de Carl Fredricksen que descobre a paixão pela Aventura ao encontrar Ellie, sua futura esposa. O tempo passa e ambos envelhecem. Em uma cena grotesca percebemos como o gênero sexual é trabalhado pelo filme – Ellie arruma a gravata de Carl. Ele trabalha vendendo balões, ela fica em casa. Ao masculino o espaço público e ao feminino o privado.

Apesar do escorregão, a Pixar desenvolve pela primeira vez a idéia de morte em uma relação humana quando Ellie falece e Carl passa a viver sozinho. A solidão faz com que o personagem fique recluso em sua casa, marginalizado pela expansão da modernidade. Ao abrir a porta, Carl percebe que sua pequena casa está perdida entre os arranha-céus da cidade. Porém tal solidão desaparece com a chegada de Russell, um garoto que almeja avançar na categoria de escoteiro.

O objetivo de Russell é simples, consiste em ajudar um idoso em alguma atividade, mas o velho Carl não parece interessado em colaborar. Acontecimentos fazem com que uma amizade entre ambos comece a crescer e o oposto – juventude e velhice – ganha destaque no filme. A viagem para a tropical América do Sul é bastante divertida, ao contrário da franquia Madagascar, existe apenas dois animais em evidência, um é o pássaro exótico Kevin e o outro o cachorro Dug.

Pela primeira vez a Pixar concentra todas as forças na relação entre personagens humanos e nesse quesito avança na linguagem que ela mesma re-inventou – a animação 3D. Não que o filme seja um primor mas consegue emocionar todas as platéias. A relação entre Carl e Russell consegue sensibilizar qualquer público, mesmo o infantil.

Up também avança na parte técnica. A qualidade fotográfica é formidável, os designers construiram linhas impressionantes tanto na beleza do pássaro quanto na coloração dos balões que impulsionam a casa de Carl. A Pixar trabalha para que cada filme novo supere a produção anterior. Ainda é cedo para qualquer comparação com Wall-E mas o filme de Pete Docter atinge um nível similar. Mais uma vez a empresa aventurou-se pelo caminho certo.

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