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Blade Runner. A produção de Ridley Scott foi considerada no ínicio desse mês como o melhor filme de ficção científica de todos os tempos pelo site Total Sci-Fi Online. Sou contra listas, mas não posso negar que algumas vezes brinco, formulando as minhas, na tentativa de pontuar os mais marcantes na jornada de espectador. Adoro Blade Runner e acredito que a homenagem tenha sido merecida, mesmo que deixe para trás outros filmes como 2001: Uma Odisséia no Espaço e Stalker.

A parte técnica de Blade Runner é impecável. Não há um único plano desprezível ou desnecessário durante toda a narrativa. A fotografia é marcante e as cores são bem balanceadas.  Para um filme de ficção (futurista), o cenário, figurinos e efeitos são determinantes no resultado final da obra. O filme de Ridley Scott é um dos poucos do gênero que não cai na plena artificialidade, usando de uma artimanha simples – elementos do “passado” e do “futuro” convivem harmoniosamente.

Os carros podem voar mas o confronto final entre Harrison Ford e Rutger Hauer acontece numa locação antiga, uma estrutura do passado que resiste à modernidade. Logo no ínicio, o Caçador de Andróides almoça em um ambiente que lembra uma Chinatown. Aliás diria que a cidade do filme é uma Nova Iorque futurista, insistentemente castigada pela chuva. Os belos guarda-chuvas continuam com a mesma forma, o diferencial é o cabo luminoso. Diversos efeitos de iluminação conduzem a uma sensação futura, a noite prevalece.

A bela atuação da dupla Harrison e Rutger também contribui para o sucesso do filme, ambos os personagens possuem um tipo de construção psicológica interessante. A velha dualidade do Bem X Mal funciona de outra forma já que os replicantes lutam pela sobrevivência, procurando  o sentido da própria existência, enquanto o caçador de andróides parece ter uma profissão fadada a extinção. Questões filosóficas e existencialistas emergem na belíssima cena final, um duelo poético entre os principais personagens.

A trilha-sonora de Evángelos Odysséas Papathanassíu, popularmente conhecido como Vangelis, também colabora para a atmosfera da produção.  Em 1992, Scott lançou sua versão final para o filme, a Director´s Cut que aliada a International Cut e U.S. Cut apresentam três  possíveis cortes sem alterar drasticamente a essência do filme. Após desenvolver Alien, o Oitavo Passageiro, outro filme na lista das 10 melhores ficções, Ridley calejou os dedos quanto o desenvolvimento de universos futuristas. Ao contrário do filme anterior, a ameaça parece ser a própria existência. Perdida no cosmo duas gerações estão prestes a morrer – O Passado e o Futuro – O Caçador e o Replicante.

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