anticristo

Polêmico – Esta é a palavra que acompanha a última obra de Lars Von Trier desde a pré-produção. O que esperar de Anticristo? Um terror psicológico desenvolvido com base na experiência depressiva do diretor. Hoje fui ao cinema para tentar encontrar o que chocara todos no último Festival de Cannes. Engana-se quem olha o cartaz e pensa que o mais impactante seja a nudez ou o sexo.

Anticristo começa com um dos Prólogos mais bonitos que já vi no cinema. Tenho que admitir que a câmera lenta e a trilha-sonora me seduziram mas a fotografia e montagem do capítulo são deslumbrantes. O tom poético marca a primeira e última cena onde o sexo pode ser associado à felicidade já que no decorrer do filme ele se torna um ato mergulhado no ódio e na violência.

O filme tem um ritmo estranho, por vezes sonolento, quando o casal interpretado por Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe se refugia na floresta, justamente o ambiente onde reside todo o terror da história. Cenas de animais em decomposição ou tomadas distorcidas são utilizadas na tentativa de começar a aterrorizar o espectador. Algumas vezes a câmera está fixa, outras na mão de Trier, um dos últimos resquícios do Projeto Dogma.

A floresta é sombria, os animais que a habitam são personagens importantes, são observadores e ao final viram agentes. Porém nada é mais aterrorizante do que o surto da personagem de Charlotte Gainsbourg, lembrando que seu marido é terapeuta e a então estadia na floresta uma possível cura. Charlotte decide punir o marido pela sua angústia e o ataca sexualmente e fisicamente. Os instantes finais de Anticristo são intensos e causadores de repulsa.

O filme atinge o climax e choca o espectador. Charlotte mereceu a Palma de Ouro de melhor atriz, o papel é expressivo e difícil, ainda mais se pensarmos que o diretor é o exigente Trier. Ao final uma bela homenagem na dedicatória ao cineasta russo Andrei Tarkovsky. Claro! Como não lembrar do clima sombrio de Stalker, uma das melhores ficções científicas já desenvolvidas ou principalmente de Espelho com suas belas cenas.

Anticristo é fruto de uma mente doentia, intenso merece ser visto no cinema, mas não seja tolo. Vá sozinho! Você pode ir com a esposa (o), namorada (o), amiga (o) e/ou familiar mas afaste-se para mergulhar fundo no sofrimento de Lars Von Trier.

Anúncios