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Dias atrás um amigo me questionou se conhecia algum lugar onde ele pudesse comprar pôsters. Como bom fã de cinema respondi que não e ele mandou o link de um site  com uma bela pintura de Vincent Van Gogh. Enquanto descobria o belo acervo do portal, ele foi categórico – Quero um pôster de Vincent Gallo. Estranhei! Que tipo de homem casado e aparentemente bem resolvido penduraria Gallo na parede? Não sou machista (só um pouco segundo Marcia Tiburi), mas nas minhas paredes gostaria de ter Liv Ullmann, Brigitte Bardot, Marilyn Monroe e/ou Audrey Hepburn!

Conhecendo parte da trajetória de Gallo com o polêmico The Brown Bunny, decidi pedir uma indicação e a sugestão foi – Assista Buffalo ’66! É foda! De fato, depois li que o filme é considerado umas das melhores produções independentes de todos os tempos. Decidi arriscar e queimei a língua. Gallo não é só um rostinho bonito, modelo da Calvin Klein, o diretor, ator, roteirista e músico soube construir uma narrativa tensa, que engenhosamente prende o espectador durante todo o filme.

Tudo começa com o personagem de Gallo (Billy) saindo da prisão e procurando um banheiro para tirar a água do joelho. No desespero ele entra num clube de dança e acaba sequestrando uma das dançarinas (Layla), levando-a até um carro. Quando a situação parecia caminhar para o estupro, Billy faz uma estranha proposta para a garota – quer que ela finja que é sua esposa e vá com ele até a casa dos pais que nem desconfiam que ele estava preso.

A relação de Billy com os pais é surreal, eles o rejeitam durante todo o jantar e acabam adotando a suposta esposa como filha. Nesse momento o espectador descobre a razão do filme levar o nome de Buffalo ’66 ao mesmo tempo que conhece um pouco mais do passado do personagem principal. Ao sair da casa dos pais, Billy e Layla desenvolvem uma relação onde a garota acaba se apaixonando pelo então anti-herói. O que impressiona é a construção psicológica dos personagens, é fantástica. Gallo escreveu a letra, compôs a melodia, reuniu a banda e gravou tudo da forma mais autoral possível.

Ao final, o objetivo e trajetória de Billy que pareciam óbvios, ganham uma outra dimensão pela escolha de Gallo. Não sei se ele acertou ao adocicar e apresentar dois possíveis caminhos, escolhendo seu preferido ao término. Entendo que ele não tinha muita escolha e arriscou. Porém essa era a idéia de Gallo durante toda a produção. O risco foi bem calculado e o filme é digno de elogios.

Da próxima vez que for ao Rio de Janeiro e ver Vicent Gallo pendurado na parede de qualquer casa, não questionarei. Ele merece um lugar de destaque. Por enquanto Buffalo ’66 foi o melhor filme que vi este ano.

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