gramado

Celso Sabadin representou a revolta dos verdadeiros críticos de cinema ao descrever a homenagem do pífio 37º Festival de Gramado a Maria da Graça Meneghel. Minhas críticas não são direcionadas a personagem Xuxa, infelizmente presente em boa parte da minha infância. O inconformismo reside na escolha dos organizadores. Qual é a contribuição da loura para o cinema nacional, além dos intermináveis filmes grotescos?

O que diria Glauber Rocha ao ver tamanha insanidade? Escreveria outro manifesto de repúdio? Cercada de dezenas de seguranças, Xuxa avançou ao palco enquanto a histeria da massa residia do lado de fora do evento. Bradando sua origem popular ela disse – “Eu sou o povo”. Oras que povo minha cara? Talvez o noveleiro e refém da “poderosa” emissora de televisão. Povo massacrado e estagnado por uma política corrupta que esconde mais que dinheiro na cueca. Rouba a dignidade do povo em um país longe de ser maravilhoso mas com potencial para ser muito melhor.

Xuxa recebeu seu Kikito, o Oscar Paraguaio, pois é isso que o evento se tornou, uma cópia barata do Oscar, escondido na serra gaucha. Ao olhar para o troféu é nitida a primeira semelhança, talvez só perca para o Troféu Imprensa do folclórico Silvio Santos. A organização conseguiu a visibilidade que queria mas manchou o evento. Como ficarão os próximos homenageados se de fato forem aqueles que contribuiram para o desenvolvimento do cinema nacional de “qualidade”?

Segundo Sabadin ao término da premiação Xuxa deu o abraço de Judas no crítico Luis Carlos Merten e sussurrou – “Eles tiveram que me engolir”. Nos perguntamos quem seriam “Eles”. Se somos nós que gostamos do “bom” cinema ou a organização do evento. Porém não me preocupo com o gosto ruim de Xuxa, prefiro cuspir. Alías, o ego da loura foi tão grande que não passaria pela minha pequena boca. Todos em Gramado estão carecas, os verdes pampas estão em chamas.

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