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Não é a primeira vez que escrevo sobre cores e/ou direção de arte nesse blog. Há quem defenda que quando enaltecemos esses campos é por conta de falhas na condução da narrativa. Discordo deste pensamento simplório e acredito que um bom filme pode se destacar em diversos quesitos. Desde pequeno sou apaixonado pelas cores primárias, secundárias e complementares. Sempre olhei para o céu em busca do arco-íris, afinal sempre tem um pote de ouro lá no final!

Durante as sessões, gosto de observar os filtros utilizados em cada cena. A maioria dos filmes segue a tendência de manter a mesma tonalidade durante toda a obra, enquanto outros arriscam e fazem uso de diversas cores. Meu olhar fotográfico ajuda nesses momentos, já que a cor é produzida pelo reflexo da luz sobre uma superfície, portanto enquadramento e iluminação são imprescíndiveis.

No quesito cores destaco o trabalho de Krysztof Kieslowski, Tim Burton e Pedro Almodóvar. Como já escrevi sobre os dois primeiros, deixo um pequeno comentário sobre duas obras de Almodóvar. Tanto em Tudo Sobre Minha Mãe quanto em Volver, as cores estão impecáveis. Pedro sabe construir muito bem um caractere pelo enquadramento fotográfico. Diversas vezes os personagens aparecem em Primeiro Plano, uma relação quase íntima entre espectador e ator.

Almodóvar é ousado pelos temas que escolhe e pelo atores que escala. O grupo homossexual e transsexual tão desprezado por parte da sociedade ganha força em seus filmes. Pedro embeleza o que poderia ser feio, um padrão estético que entra como uma das marcas autorais do diretor. Não dá pra esquecer os papéis de parede das residências, os vestidos, acessórios e os objetos de cena. Tudo tem uma combinação de cores que salta aos olhos, camuflando histórias duras e divertidas.

Almodóvar consegue extrair muito bem o que quer de cada ator/atriz. A forma como embelezou Penelope Cruz em Volver, lembra o trabalho de Kieslowski com Irene Jacob e Juliette Binoche. A equipe de arte envolvida nos filmes do diretor poderia abrir um ateliê. Diversas cenas parecem pinturas. Se Van Gogh fosse vivo, talvez trocasse os belos campos  de trigo pelos cenários do espanhol.

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