crepusculo

Desde o furor de “O Código da Vinci”, o metrô vem funcionando como vitrine do nível de leitura do paulistano. O monitoramento é fácil, ou melhor, é nítido. Sentado ou em pé, basta balançar horizontalmente a cabeça, num movimento de 180 graus. Em 2005, não me recordo agora o mês exato, eu fiz tal movimento. Conclusão: meus olhos não paravam de registrar as dezenas de monalisas firmemente amparadas pelas mãos da galera. E mesmo chegando no Brás, quem disse que o povão largava o Dan Brown? Que nada.

Hoje, quatro anos e muitos lançamentos depois, o metrô está infestado por uma nova chaga, o “Crepúsculo”. Caraca, é surpreendente. Tem “Crepúsculo” na porta, no canto, no corredor, no ferro de apoio, no banco, na passarela, na plataforma, na bolsa da amiga do lado, na sacola das Americanas da tiazinha. Meu, até dentro da cabine onde se vende bilhete único. O livro virou epidemia, pandemia, sei lá.

Às vezes sinto um certo pânico, admito. Porque além dos ‘Crepúsculos’, ainda tenho que aturar o povo mascarado, com medo do contágio da gripe suína, e os comilões que decidem abrir um pacote de Ebicen (lembram-se daquele salgadinho de camarão? Pois é!) no meio da multidão.

Mas voltando ao livro… O fato de a população ler o bendito Crepúsculo não é de todo mal. Há ao menos a prática e o fomento da leitura, ainda mais quando falamos no leitor brasileiro, que não é lá muito íntimo da literatura. Mas, poxa vida, tenho a impressão – e alguns leitores já me disseram isso – que o romance parece mais história de carochinha. Gente, uma carochinha, duas, até vai. Agora, três, ou mais? Aja saco.

Colando o mosaico narrativo, temos uma grande tela ‘carochinesca’ e enfadonha, repleta de tramas nada originais e cheia de lugares-comuns. Ah, e esse romance entre o vampirinho e a mocinha? O que é isso? De novo a mesma história? Déjà vu total.

Ok galera, vocês podem continuar a leitura do Eclipse, da Cabana, do Crepúsculo – ah não sei, é tudo a mesma coisa -, mas assim, por favor, deem um descanso para os monitores da leitura, como eu. Cansa olhar o mesmo livro tantas vezes. Ainda mais pra quem faz três baldeações por dia. (Acho que peguei pesado. Rs)

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