Jon Alpert

Pautar, produzir, agendar entrevistas, fazê-las, cuidar do som, pensar no tipo de iluminação e, se necessário, segurar o spot, correr atrás do factual, trocar a fita mini-DV, reunir o material, decupar, editar, divulgar… Ufa! Pode parecer uma linha de produção maluca, alucinada, mas essa é a rotina de todo e qualquer profissional – jornalista – das emissoras de TV. Mas, é claro, cada um fica responsável por uma etapa.

Só que bem do lado direito deste jovem da fotografia há a prova viva de que toda essa cadeia produtiva pode, sim, ser feita por um único homem. E o pioneiro é este aí mesmo, o nova-iorquino Jon Alpert, que amanhã, sábado (8 de agosto) dará um workshop sobre a atividade do videorrepórter na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Pode parecer desumano colocar nos ombros de um único indivíduo tantas pendências. Mas não é. É óbvio que para exercer a atividade com total sucesso é necessário que a pauta se adeque ao formato de videorreportagem. Não dá, por exemplo, para um chefe de reportagem enviar um ‘abelha’, como muitos são chamados, para cobrir uma coletiva de imprensa da Polícia Federal. Tal atitude transparece ignorância.

Jon Alpert deixa bem claro que a atividade é mais do que um simples trabalho jornalístico diário. É arte e é, também, obra expositiva, como um curta-metragem ou, até mesmo, um documentário.

Mesmo tiozão, carregando em suas costas quase 40 anos de carreira, Jon contou, em uma prévia do workshop, no dia 7/8, suas histórias e aventuras a bordo de caminhões, carros e equipamentos cinematográficos.

O malucão – é assim como muitos viram ao ouvir sua trajetória – acompanhou ladrões, prostitutas, testemunhou guerras, mortes. Esteve no Iraque durante a Guerra do Golfo, entrevistou Fidel Castro dentro de um avião. E tudo, tudo isso, segurando uma câmera e os equipamentos que a acompanhavam. Só.

E a partir de seus trabalhos foi inaugurado o estilo cinematográfico que, mesmo atrelado ao jornalismo – muitas emissoras de TV, como a Band e a TV Cultura, já trabalharam ou ainda trabalham com o formato -, escancarou os limites do audiovisual, principalmente por dialogar com o documentário cru e realista.

Anúncios