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Há 40 anos perdemos o corpo de Theodor Adorno, um dos maiores filósofos do século XX. Ao lado de Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Jürgen Habermas, entre outros, participou ativamente da Escola de Frankfurt, movimento intelectual que revolucionou o pensamento alemão e mundial.

Tenho que admitir que tenho preferência por Benjamim e Marcuse mas a contribuição de Adorno é inegável. A publicação de A Dialética do Esclarecimento com Horkheimer, lançou diversos conceitos empregados até a atualidade, algumas vezes distorcidos mas sempre lembrados. Enquanto Benjamim se suicidou (há quem defenda a tese de assassinato) pelo medo de ser capturado pelos nazistas, nosso velho Adorno conseguiu desembarcar nos EUA durante a Segunda Grande Guerra.

Defensor da cultura erudita, Adorno, um sujeito clássico, ficou assustado ao ver o padrão de vida norte-americano com tendências ao “moderno”. Seus textos expressam o medo quanto as direções culturais que esta e outras sociedades se dirigiam. Cultura de Massa e Indústria Cultural são alguns dos termos mais conhecidos e que identificam bem a relação Arte e Capitalismo.

Mesmo sendo um sujeito chato e quase intocável no meio acadêmico temos que perceber que Adorno e os demais filósofos frankfurtianos plantaram uma semente que cresceu e ganhou uma enorme dimensão – a crítica. Mas não qualquer genêro crítico. A Escola de Frankfurt despertou um modelo de critica cultural que supre uma carência gigantesca. Antes do movimento não existia uma base lógica de raciocinio que desse conta da explosão cultural do período.

Adorno escreveu sobre muita coisa, inclusive sobre música, onde faz fortes críticas a diversos ritmos musicais como o Jazz. A tendência é que os alunos o consideram chato, e ele o é de fato. Porém tal chatice contribui para despertar a consciência crítica do sujeito. Nesses 40 anos que perdemos o corpo de um homem, percebemos a força de suas idéias.

“O homem é tão bem manipulado e ideologizado que até mesmo o seu lazer se torna uma extensão do trabalho”. (Theodor Adorno)

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