deriva

Ontem fui assistir ao novo filme de Heitor Dhalia e fiquei chocado com o amadurecimento do diretor. Heitor já tinha alcançado um bom reconhecimento com O Cheiro do Ralo, mas desta vez creio que ele tenha entrado para o Hall dos melhores diretores nacionais da atualidade.

O filme é muito bonito fotograficamente, as cenas de Laura Neiva e Vincent Cassel na praia e as da garota com sua turma adolescente são sensacionais. Obviamente o ambiente litorâneo facilita tanta inspiração. Tive a impressão que boa parte das tomadas na praia foram filmadas no Nascer do Sol e/ou Pôr-do-Sol. Quem conhece fotografia sabe que um dos piores horários para tirar foto é por volta das 12h00 devido a posição alta do Sol e a forte exposição do filme à luz.

O sotaque de Vincent Cassel é engraçado, mas o que poderia ser bizonho fica simpático durante as falas do ator. Laura Neiva é uma atriz estreante, um diamante bruto encontrado por acaso, sua atuação é um tanto fraca mas compreensível. O restante do elenco vai bem de uma forma geral. Diversos temas são abordados, destaque para a descoberta da sexualidade, traição e família.

Porém o que mais me impressionou foi a trilha-sonora. Existe um Leitmotiv perfeito formado por notas de piano que inicialmente lembram a música tema de Central do Brasil. Além desta composição e suas variações, existe outra música que corta boa parte do filme dando ritmo as cenas mais angustiantes. Tal trabalho é de Antonio Pinto compositor brasileiro, filho do cartunista Ziraldo e irmão da diretora Daniela Thomas. Antonio compôs trilhas para o já citado Central do Brasil, Abril Despedaçado, Cidade de Deus, entre outros.

A música é importante pois aliada a Fotografia e Direção de Arte conduz o filme aos pontos mais altos. Heitor soube desenvolver com maestria uma história simples. À Deriva que passou este ano pelo Festival de Cannes merece o reconhecimento em território nacional pois evidencia que o cinema brasileiro não precisa de comédias tolas ou violência excessiva para engrenar.

Fiquei emocionado ao término do filme. À Deriva me conquistou, por alguns minutos fiquei preso na cadeira sem poder levantar. Posso dizer que é um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos, um trabalho que mareja os olhos e dispara o coração.

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