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Eddie Vedder e Cat Stevens! O que os dois músicos teriam em comum para uma fusão de nomes como a feita no título deste post? Talvez a composição plena de uma trilha-sonora para o cinema. Cat transformou Ensina-me a Viver (Harold And Maude, 1971) com suas letras angustiadas. O sucesso trouxe uma reviravolta na vida do músico britânico que mudaria o nome para Yusuf Islam após a conversão ao Islamismo.

Stephen Demetre Georgiou, nome de nascimento, renegaria Cat Stevens e suas músicas, ficando bastante tempo afastado dos estúdios até voltar em 1998 como Yusuf Islam. Porém é o período anterior a conversão religiosa o mais reconhecido artisticamente.

Do lado americano temos um músico que trabalhava em um posto de gasolina até receber algumas fitas demos com faixas instrumentais. Sua angústia apareceu nas primeiras letras que compôs e mixou naquelas fitas magnéticas, recebidas como uma bomba pelos músicos que há algum tempo procuravam um vocalista para uma banda que se desenvolveria e seria marco do movimento grunge americano – o Pearl Jam.

Avesso ao sucesso, Vedder e a banda tomaram rumos diferentes dos demais conjuntos do período. O amadurecimento do compositor pode ser percebido na trilha do filme Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2008). Sean Penn, diretor do filme e amigo de Vedder, convidou o músico e ficou impressionado com a maioria das músicas. Assim como acontecera com Cat Stevens em Ensina-me a viver, o filme de Penn é recheado do ínicio ao fim com as composições de Eddie Vedder.

O que aproxima tanto estas trilhas-sonoras é o conceito folk do índividuo e seu violão. Uma levada acústica muito boa dependendo da narrativa cinematográfica a ser desenvolvida. Cat Stevens faz uso acentuado de instrumentos de teclas (piano, teclado e orgão) enquanto Vedder prefere enfatizar o violão, companheiro das noites solitárias. A voz de ambos tende ao barítono, nível intermediário da voz masculina, mais propensa ao grave.

Os ritmos musicais são variados mas Cat Stevens tende ao crescente, suas músicas começam calmas e vão elevando o volume até a voz do músico ganhar intensidade e nervosismo. Vedder não esconde sua admiração por Stevens, nos shows solo é comum ele tocar Trouble, música que faz parte da trilha de Ensina-me a Viver.

Entre trilhas-sonoras com músicas repetidas e sinfônicas industrializadas, dois músicos provaram que a criatividade e um violão bem afinado podem fazer a diferença. Mas não se engane , o mais simples pode ser o mais complexo na difícil elaboração da linguagem musical-cinematográfica.

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