batida

Madrugada de Domingo. Mais uma noite com bronquite, a respiração ofegante transforma-se em insônia. Na rua, ouço uma acalorada discussão e poucas palavras como – Pega, Vai! Pega! A tradicional briga de final de festa, o que antes fora alegria transforma-se em ódio e fúria. Grupos discutem,  impera a lei do mais forte. Excesso de álcool que cai na corrente sanguínea e vira coragem dos que sozinhos são meros covardes.

Ninguém quer sair da rua como perdedor, a briga é uma questão de honra para quem no estado de embriaguez não tem consciência das próprias atitudes. Definiria a situação como animalesca se fosse impiedoso com os animais, estes brigam pela sobrevivência enquanto nós pelo orgulho ferido. A ignorância toma conta de uma razão prejudicada pela baixa escolaridade e outra dezena de fatores da nossa terra brasilis.

Não consigo dormir e levanto-me. Pneus de carro cantam tchururu tchuru tchuru! Nada disso, apenas um som estridente que denuncia o próximo destino – o poste. A noite alegre na Festa de São Vito cobre-se com o véu da morte. Imprudências do cotidiano. Logo uma mãe receberá a ligação que mudará sua vida. Mais um rabisco para as assustadoras estatísticas de uma cidade violentamente gigantesca.

Semana retrasada fui com minha família comer um pedaço de pizza folhada. O vinho quente ficara de lado, estava muito doce. Glicose por açúcar, compramos um pedaço de bolo. Voltamos para casa (moro próximo ao local da festa) e até então revelara minha surpresa pela falta de confusões na madrugada. Hoje, última semana de festa acordo com a briga, esta hora fichada em alguma delegacia e prestes a cair no esquecimento.

A festá é maravilhosa, deve continuar. Uma pena que ainda existam aqueles que não saibam como participar. Rompendo o silêncio da madrugada assemelham-se aos personagens de La Guerre du feu (1981) de Annaud que ainda combatem pelo domínio do fogo. Primatas da Razão e Arquitetos da Destruição, perdidos entre nós!

Bem-Vindo ao Planeta dos Macacos.

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