circo

Explosão da Cultura de Massa! Talvez a apropriação do conceito de Adorno e Horkheimer ajude a decifrar o que está acontecendo nos últimos dias na televisão mundial. O artificio é antigo mas com o decorrer dos anos ficou mais truculento. As menções anteriores e posteriores são reflexões sobre todos os eventos que envolveram a morte do Rei do Pop, um acontecimento explorado ao máximo pela mídia.

Não há quem tenha ficado alheio a tanta exposição. Nas redes de televisão, uma série de especiais intermináveis conteram o choque inicial dos fãs, antes reclusos ao sucesso das décadas de 1980-1990. Quem não conhecia MJ pode escutar e ver suas principais músicas, contribuições significativas em diversos campos, entre eles – a futura estética videocliptica.

O funeral do Astro ganhou o apelido de showneral enquanto milhares faziam a inscrição que sortearia ingressos para o evento. Boa parte com a clara intenção de ganhar dinheiro em cima do último contato com o corpo do artista. Alguns cobravam cerca de $5.000,00 para repassar o ticket adiante. Flashes e câmeras invadiam todos os ambientes possíveis levando ao espectador uma pequena amostra da Sociedade do Espetáculo.

Textos absurdos comparavam ele a Elvis Presley enquanto outros preferiam desmerecer seu trabalho para lembrar dos diversos escândalos que envolveram sua carreira. Os passos de Moonwalk, que Martin Scorcese definiria como algo extraordinário, viravam desafio na roda de amigos enquanto piadas infâmes ridicularizavam sua pessoa. O velho chute no cachorro morto.

Poderiamos emendar – descanse em paz? Acredito que paulatinamente a mídia o esquecerá. Em breve aparecerá outro corpo para os abutres sobrevoarem. O jornal precisa ser vendido e a audiência reestabelecida. Enquanto nossos vizinhos morrem de fome e nosso país agoniza pagamos o preço da cultura de massa.

O artista precisa ser lembrado, nunca será esquecido. O que choca é o oportunismo barato e não as poucas e boas homenagens. Talvez a expressão do Prof. Dr. Wagner Pinheiro Pereira em nossa última aula encerre bem este post – “Uma pena que ele precisasse morrer para ter a atenção merecida”. Fechamos o curso assistindo a empreitada social We Are The World. Alguns ainda em dúvida – We Who, me caro?

A Indústria Cultural está a pleno vapor, fechem o caixão, o Circo Pinga Fogo prepara sua próxima atração.

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