a tanto tempo

“No primeiro dia você o ama, no segundo começa a odiá-lo e no terceiro volta à amá-lo”.

Essa foi a resposta de Vincent Cassel sobre o que significou contracenar com o mestre Gérard Depardieu. Vincent acrescentou diversos elogios à Gérard definindo o trabalho como a realização de um sonho antigo. “Gérard já fez de tudo, quando ele quer trabalhar sempre é um grande ator”. Com essa frase finalizo as respostas de Cassel às minhas perguntas no dia da apresentação de Mesrine: O Inimigo Público.

Mudando de assunto,

nos últimos anos tenho observado os rostos que circulam pelos festivais de cinema da região central de SP. Percebo que muitos  me acompanham na travessia da fila até a sala escura. O que isso significa? Que em quase todos os festivais identifico as mesmas pessoas. Esse encontro de (des)conhecidos é bem interessante. Fiz poucos contatos verbais com essas pessoas mas sempre sinto uma grande curiosidade de conhecer tamanho amor pela Sétima Arte. No futuro, talvez vire tema de algum documentário. Por enquanto a distância parece grande e minha timidez forma barreiras que não permitem um contato mais próximo a não ser claro pelas senhoras que sempre me abordam para discutir algo relacionado ao filme que vai começar ou ao que já terminou.

Voltando Ao Panorama. Ontem fui para a estréia de duas obras. ..

Há Tanto Tempo que Te Amo do escritor e diretor Philippe Claudel é um dos melhores filmes do Festival. Trata-se do primeiro trabalho de Claudel como diretor e para minha surpresa ele mostrou muita maturidade na condução da obra. O embate entre as irmãs protagonistas lembra uma pedra de gelo que derrete paulatinamente. Duas horas para que a relação saia do estado sólido para líquido e para que a platéia se emocione com a redenção total dos laços afetivos. Não posso falar muito sobre a história, neste caso é melhor assistir com pouco conhecimento do que o filme trata. Destaque para as belas atuações de Kristin Scott Thomas e Elsa Zylberstein. Os planos fotográficos e a relação entre as duas consegue cativar qualquer espectador que goste do cinema francês. Infelizmente Elsa não sentiu segurança no vôo da França para o Brasil e o debate ficou para uma próxima oportunidade.

Faubourg 36 é um filme simpático, entretanto a narrativa não me conquistou. Mais um daqueles filmes que faltou algum tempero, porém tal fato não compromete a excepcional direção de arte que conseguiu recriar a cidade das luzes em plena década de 1930. Período conturbado e que antecederia um dos piores conflitos da humanidade, a Segunda Guerra Mundial. Talvez este seja um dos pontos mais atraentes do filme visto que não conheço muitas reconstituições históricas de Paris neste período.

A história permeia um grupo de artistas que em plena crise tentam conservar o espaço de trabalho, um salão de shows batizado de Faubourg. As greves avançam por diversos setores industriais e nosso Faubourg sente os efeitos da disputa política prestes a eclodir entre fascistas e comunistas. Tudo em uma cidade prestes a ser invadida pelas forças de Adolf Hitler.

Ao término da sessão ocorreu um bate-papo com Christophe Barratier, diretor do longa. Questionado quanto a situação dos atores e artistas na França, Barratier lembrou das dificuldades da Arte enquanto profissão. Posteriormente apresentou sua opinião sobre um país onde a greve é um ato tão utilizado. Como em qualquer regime democrático, Barratier acredita que a greve é um direito de protesto dos trabalhadores e que não pode ser proibida. Lembrou que haviam diferenças entre a greve da década de 1930 e as atuais. Nos anos 30 a greve era envolta de ideais de um mundo melhor enquanto hoje parece mais atrelada apenas as situações financeiras.

Anúncios