mesrine

Tudo parece ter voltado a normalidade no segundo dia de evento. Antes de comentar sobre os filmes tenho que responder a questão deixada no post anterior – Por que o lançamento de tantos filmes com narrativas de diversos núcleos (histórias paralelas) nos últimos anos ? Alguns são multi-étnicos (Babel) e outros formam uma teia maluca (Magnólia), porém a maioria desenvolve um tipo de suspense que gostamos – a relação e a proximidade que temos um com o outro. No final das contas personagens  aparentemente estranhos tinham algum tipo de ligação.

Esse modelo narrativo costuma prender a atenção do espectador e fazer algum sucesso. Um bom roteiro com diversos núcleos pode ser mais lucrativo que um bom roteiro com poucos personagens. Por que? Identificação. Quando o filme rodar por outros países e culturas elevará sua chance de ser aceito. Mas isto é discútivel. Atualmente não existe uma fórmula do sucesso.

Voltando ao festival ….

OSS 117, Rio Ne Répond Plus é a comédia de humor negro escolhida pela organização. Um bom filme na parte técnica mas bem fraco enquanto estrutura narrativa. Mais uma história de um agente atrapalhado inspirado em James Bond. OSS 117 é o seu número para contrapor o famoso 007 de Bond. O ator Jean Dujardin parece um rascunho de Sean Connery. Com uma expressão facial que lembra o milagroso Botox, Dujardin segue uma interpretação que lembra o velho Agente 86 misturado com os galãs da Era de Ouro de Hollywood. Pode provocar boas risadas mas passa longe das comédias francesas. Entretenimento na forma mais bruta.

Horas de Verão de Olivier Assayas é um filme com um ritmo bem lento. A história gira em torno do falecimento de uma mãe e da decisão dos três filhos em relação a sua herança. A construção do tempo e da memória sobre os objetos lembrou meu querido Alain Resnais, porém Assayas tem uma abordagem própria desses fenômenos. A sonolência durante o filme é recompensada pelo belo final. Destaque para a fotografia de Eric Gautier, que trabalhou em Medos Privados em Lugares Públicos e Na Natureza Selvagem, dois filmes magnificos. Ao término da sessão ocorreu um debate com o ator Charles Berling e as principais perguntas diziam respeito a relação entre Arte e Sociedade.

Mesrine, O Inimigo Público é a primeira parte de um DoublePack sobre Jacques Mesrine, Gangster Francês, famoso nas décadas de 1960 e 1970. Por enquanto foi o filme que mais gostei, tirando Paris que já havia assistido anteriormente. Jean-François Richet consegue dar ritmo a esse thriller policial que conta com Vincent Cassel no papel de Mesrine e Gérard Depardieu como outro Gangster. Cassel superou minhas expectativas nesse filme que consegue ser duro, violento e ao mesmo tempo cativar o espectador. Temos um anti-herói no seu desenvolvimento pleno.

Os planos e a montagem do filme também contribuem para seu valor enquanto obra. Há um bom tempo que não assistia um thriller policial tão maduro apesar da sua grande proximidade com o cinema comercial, que não condeno. Após a sessão estava empolgado para fazer minhas perguntas. Já era tarde e tinha que pegar o último Metrô para casa, então fui o primeiro a sabatinar Vincent Cassel e Jean-François Richet.

1 – No ínicio do filme o personagem de Vincent assume uma outra caracterização que lembra nosso eterno Raul Seixas. Citei este fato engraçado e perguntei sobre o conhecimento de Vincent a respeito de música brasileira, já que em diversas oportunidades fez juras de amor ao nosso país.

Como sempre ele respondeu simpaticamente dizendo que adora a música brasileira e que já teve contato com Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Rapin Hood, Seu Jorge, Samba, Funk, etc.

2 – Como foi contracenar com um ator do “calibre” de Gérard Depardieu?

Esta resposta revelo amanhã.

Destaco que Vincent respondeu muito bem minhas perguntas em português.

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