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A estréia do Panorama do Cinema Francês em SP foi no mínimo estranha. Haviam jornalistas, câmeras, tapete vermelho e um suspiro de glamour no ar. Certos eventos tendem a melhorar com o tempo, já outros pioram e decepcionam seus participantes. Não me lembro de tapete vermelho na edição do ano passado, mas me recordo da belissima escolha dos filmes e convidados, e principalmente da ótima organização.

Ao chegar no local me deparei com um pequeno tumulto de pessoas e uma correria disfarçada de funcionários da Reserva na tentativa de cumprir tabela. Paris, filme de abertura, demorou 10 minutos além do horário estabelecido para começar. Não veria tal fato como problemático porém para um filme de 2h10 de duração com ínicio as 21h00 numa cidade como São Paulo … Pior que ao término do filme todos se levantaram para ir embora esquecendo o debate com o simpático Gilles Lelouche. A saída principal estava trancada já que no saguão havia a festa dos convidados do evento. Todos evacuaram o prédio pela saída de emergência observando com ollhar  lânguido uma festa que não participariam.

O excesso de patrocinadores neste ano fica evidente nos comerciais que antecedem as produções. Existe um limite de tolerância e é muito importante um evento ter seus patrocinadores, porém com tanta informação fica díficil alguma ser armazenada pelo espectador. Em uma analogia barata, diria que ficou como a nova camisa do Corinthians, cheia de marcas que escondem o que de fato é importante.

Essas poucas críticas são de alguém que admira a organização da Reserva Cultural e que entende a importância de um festival de cinema como o Panorama do Cinema Francês. O pior ficou por conta de um espectador dando uma carteirada no segurança na entrada da sala. Sem ingresso o sujeito enaltecia sua importância  pela amizade com o diretor da Imovision. Uma situação ridicula que não poderia acontecer fosse ele amigo do Papa. Haja dó dessas pobres almas que circulam por aí pela amizade que conquistam com alguém.

Voltando ao principal ….

Conhecia o filme de Cédric Kaplisch mas precisava rever no cinema. Gostei sobretudo da fotografia e da montagem. Parece uma tarefa fácil transportar a beleza de uma cidade como Paris para a sala de cinema, porém percebemos diversos planos gerais por trás dos atores. Talvez seja uma espécie de confronto entre o macro-cosmo (Cidade) e o Micro-Cosmo (Personagem).

A trilha sonora é magnifica. Pelos extras do DVD lançado na França percebi o carinho de Cédric com este filme, que começou a ser rodado em 2006 para ser exibido em 2008. Destaque para a boa escolha do elenco, (Juliette Binoche, Romain Duris, Fabrice Luchini, etc) necessária para um filme que tem o nome de uma das cidades mais belas do planeta.

Mais uma produção onde existem diversos núcleos narrativos e os personagens tem uma ligação entre si. Este modelo tem ficado comum. Por que? Conto no próximo post.

Amanhã escreverei outras impressões…

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