burton

Trata-se de um sujeito esquisito, cabelos emaranhados e óculos grotescos. Com estas palavras descrevo um diretor único, com inspirações estranhas e filmes por vezes surreais. Este é Tim Burton que merecidamente ganhará uma exposição, a partir de 22 de novembro deste ano, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) . O que o diferencia dos demais diretores de sua geração? Talvez  a estética, fotografia e cenários inspiradores de seus filmes.

Tim Burton é criativo e nunca escondeu que sua infância foi fonte de boa parte dos personagens pálidos de suas obras. Seu primeiro sucesso foi Beetle Juice (1988), um filme pra lá de estranho. Porém ele ganharia destaque com o posterior Edward, Mãos de Tesoura (1990), clássico da Sessão da Tarde e primeiro trabalho com Johnny Depp que conquistaria o posto de ator preferido de Burton. Em ambos os filmes notamos o desenvolvimento estético que marcaria sua carreira de diretor – Personagens com comportamentos estranhos e uma fotografia mórbida.

Porém o filme que inspirou esse post não é dos mais conhecidos. Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (2003) como ficou conhecido no Brasil é outra história fantástica, porém com algumas peculiaridades que a transformam no melhor filme de Tim Burton. No elenco trocamos o queridinho Johnny Depp por Ewan McGregor. Depp estava ocupado com Piratas do Caribe (2003) e ficou de fora dessa vez. Após assistir ao filme mais de 5 vezes tive a intuição que seria um filme completamente diferente sem McGregor que desenvolve muito bem o personagem principal.

Destaque para o roteiro do filme que percorre diferentes períodos históricos sem se perder na bifurcação da estrada. A fotografia de Burton que antes tinha um caráter mórbido (a morbidez retorna em Sweeney Todd, 2007) ganha vida entre ambientes circenses e cidades interioranas.

Toda a parte técnica conduz a uma bela história entre o pai (Albert Finney) e um filho (Billy Crudup) em busca de identidade. Enquanto o pai é sinônimo de alegria e fantasia , o filho é enfadonho e realista. O final não é surpreendente mas emociona como poucos. A Filosofia permeia o filme e uma questão permanece:

Afinal sou um peixe grande num aquário pequeno ou um peixe pequeno perdido em um grande rio?

Antes de responder esta questão preparem-se pois Alice no País das Maravilhas (2010) é o novo desafio do excêntrico Tim Burton!

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