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Filme resgata memória musical, o que é fundamental

Voz grossa, empostada, limpa, sem vibratos exagerados. Trejeito que lembra a mais saudável malandragem do Rio de Janeiro. Um negro, com alma de negro e com ginga de negro. Formava, com os instrumentos mais usuais, a mais bela orquestra vocal do Brasil. Era um cantor, com a definição mais exata da palavra. Wilson Simonal foi Bossa, foi rock, swing, dance, Jovem Guarda e até jazz.

Essas facetas musicais, sua ascenção rápida ao sucesso e o progressivo declínio profissional emolduram o mais novo documentário do circuito: “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”.

Mais que necessário, o filme cola imagens do homem que, se não tivesse tropeçado na carreira durante os anos de chumbo quando se meteu na tal delação do seu contador, certamente seria um dos maiores ícones do Brasil.

Ele certamente comporia, até hoje, o rico mosaico musical brasileiro. Já que temos o multicultural Chico, o atualíssimo Caetano, o maestro Jobim, o poeta Vinicius, o romântico Roberto Carlos, teríamos também a maior voz do país, Wilson Simonal. Só que, embora inocente em sua atitude, ele vacilou. E vacilou feio. O motivo eu não vou contar, embora trezentos e setenta e sete mil veículos de comunicação já tenham contado a história do doc.

É verdade que o filme deixa algumas lacunas. Mas o que definitivamente vale nele, até mais do que a própria história do Simonal, é a valorização da memória musical brasileira, tão rica e ao mesmo tempo tão desprezada.

E que tenham mais e mais filmes de Caetano, Gil, Chico, Tom, Vinicius, João Gilberto, Elis, Nara Leão, Sylvinha Telles, Milton Nascimento, entre tantos muitos.

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