Locadoras, prestem atenção no mercado, senão...
Locadoras, prestem atenção no mercado, senão...

Fico triste pela constatação. É uma pena caminhar pelas ruas do bairro e perceber que as locadoras estão minguando, desaparecendo. E se elas não estão fechando suas portas em decorrência da oferta de downloads, estão cedendo a maior parte do seu espaço a outros tipos de comércio. É um novo jeito de alugar filmes. Um novo cenário que acompanha as prateleiras de DVDs. Uma maneira equivocada de trabalhar com um produto rico em características, digamos, mercadológicas.

A fim de descobrir um mundo “além Americanas Express” (ex-Blockbuster), visitei uma locadora que fica bem próxima da minha casa. Dei uma chegada lá apenas para alugar um “lançamento”, já que o valor era bem mais barato se comparado ao de outras redes do mercado.

Ao entrar na loja, me deparei com uma prateleira atulhada de ursinhos de pelúcia. Enfeites de aniversário ocupavam quase um corredor inteiro. Uma arara de salgadinhos chips, esse foi o primeiro objetivo que eu vi ao dar os primeiros passos. Agora, os DVDs, os principais produtos da loja, estavam agrupados em duas invisíveis prateleiras, no canto esquerdo da locadora.

Não quero dar voz a nenhuma manifestação moralista, muito menos anti-capitalista. Só reafirmo que, se as locadoras continuarem reduzindo ou tirando o espaço do DVD, o mercado de locação continuará pedindo “arrego” frente ao crescimento notório dos downloads.

Mas as críticas em relação às locadoras não param por aí. Uma delas, talvez a mais pertinente, é que os/as atendentes dessas “locadoras de bairro” são apenas atendentes. Com raras exceções, não se vê mais um serviço que cative o consumidor. O amigo entra no local e escolhe o filme. Pronto! Se ele recorrer ao funcionário pedindo alguma dica bacana, vai ficar ouvindo informações rasas e óbvias sobre os lançamentos. Apenas sobre os lançamentos. “Esse é legal. Aquele é bacana. Esse filme de ação é bem interessante”.

Com esse tipo de comportamento, a consequência é o acúmulo de poeira nas centenas de catálogos preciosos. Eles estão sendo cada vez menos locados. E muitos já caíram no ostracismo. Me parece que os proprietários das “locadoras de bairro” não estão com vontade alguma de empunharem um espanador para limpar e dar novo brilho aos catálogos.

Se o mercado continuar assim, apenas as grandes redes de locadoras permanecerão. Mas, se não tomarem cuidado, elas também entrarão no jogo.

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