Austrian

O diretor austriaco Michael Haneke foi agraciado com a Palma de Ouro pela sua última produção,  “A Fita Branca“, ainda sem previsão de lançamento no Brasil. Depois de 10 dias de Festival e diversas críticas relacionadas aos filmes em competição, creio que tenha sido a melhor escolha, mesmo sem ter visto nenhuma das obras.

Haneke é o tipo de diretor que merece apoio e reconhecimento pela qualidade e ousadia presente nas suas produções. Lembro-me da provocação do diretor em Violência Gratuita, frustrando boa parte dos espectadores ao travar e rebobinar o filme para a cena anterior, confirmando sua posição de Diretor na decisão sobre o rumo da história.

Como esquecer o ousado A Professora de Piano, onde observamos o clássico na figura da tutora confrontado insistentemente com a sua sexualidade reprimida. Isabelle Huppert interpreta magistralmente a professora que chocou os recalcados admiradores da Sétima Arte.

Haneke voltaria a explorar o espaço público e privado em Caché, um suspense psicológico com Daniel Auteuil e Julette Binoche. O casal começa a receber gravações anônimas da residência e as dúvidas cercam o autor e a razão de envio das fitas.

Em todos os filmes citados a narrativa do diretor possui quebras fundamentais que geralmente chocam o espectador. Até certo ponto parecem filmes simples mas Haneke inesperadamente insere algo que destrói a zona de conforto criada anteriormente. O diretor usa as narrativas modernas, deixando de lado o fator entretenimento e convocando seus espectadores para diversas reflexões.

Dentro do atual cenário onde o cinema de autor desaparece entre a enxurrada de filmes mediocres penso que a premiação de hoje tenha sido justa. Apesar dos 67 anos, Haneke faz parte de uma nova safra de diretores que mantém viva o cinema em seu nível mais elevado – o de expressão artistica.

Palmas de Ouro para Michael Haneke!

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