lizmelhor

Ontem tive a oportunidade de assistir a ousada peça Liz da companhia de teatro Os Satyros. Não fora meu primeiro contato com um trabalho do grupo, anteriormente já havia me surpreendido positivamente com a  adaptação de Vestido de Noiva do fabuloso Nelson Rodrigues.

Descrevo meu estranhamento inicial com a estrutura do Sesc Paulista, o espaço teatral é adaptado e peca pela falta de estrutura. O que poderia ser uma falha grave contribuiu para um contato intimista entre  o público e os atores, já que fomos distribuidos em escassas fileiras de platéia.

Gostei do texto, interpretações, citações e figurino. Por azar ocorreu um problema com a iluminação no decorrer do espetáculo. Fora uma parada por problemas técnicos, talvez um bom momento para respirar, porém perigoso no fluir teatral, imerso em muita concentração.

Gosto dos Satyros pela tentativa de modernizar uma linguagem tão clássica como o Teatro. Na peça há a utilização de personagens de múltiplos contextos assim como o restante da “Mise en Scéne teatral” é definida pela diversidade. Em pleno Século XVI, a nossa rainha Elizabeth I divide o palco com uma trilha sonora que dentre outros tem Roberto Carlos no auge da Jovem Guarda.

Novamente um belo espetáculo que poucos poderão acompanhar. Fico triste mas penso o quanto aquele espaço acanhado contribuiu para a realização de uma grande peça. Um momento reservado, por alguns instantes me senti na corte de Liz, acompanhando seus principais e últimos suspiros. Observei de perto os seus principais defeitos.

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