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Não poderia criticar um filme com relações tão próximas de A Dupla Vida de Veronique (1991). Assim como o filme de Kieslowski, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) é um primor fotográfico. A adoção de diversos filtros, cores e ângulos são meticulosos e quase atingem a perfeição como no quadro de Renoir que o homem de vidro insiste em copiar.

Tive a oportunidade de ver a produção novamente e meu olhar recaiu justamente sobre as cenas e a montagem, onde percebi uma sintonia muito boa entre a fotografia e o estado emotivo dos personagens. Deve ter sido uma montagem dolorosa, visto as diversas transições e cortes que o filme sofre durante suas duas horas. As mudanças de eixo da câmera são significativas e complexas, desde os close-ups até os diversos planos adotados, tudo parece distante do convencional no cinema.

É um filme Pop, mergulhado em diversas referências e que dá novas cores a cidade de Paris. A direção de fotografia de Bruno Delbonnel pode ser posteriormente conferida no Beatle Movie, Across The Universe (2007), que revela mais uma vez o talento do fotógrafo com as cores vibrantes.

A música de Yann Tiersen que posteriormente faria diferença no filme Good Bye Lenin! (2003) encaixa-se muito bem. É uma sonoridade tipicamente francesa com a insistente utilização do Acordeon e do Piano. A voz grave do Narrador (André Dussolier) não incomoda. Este é um personagem que poderia estragar uma trama, porém no filme o narrador não conta mais que o necessário.

Amélie trabalha em  um café mas o filme parece uma salada complexa e saudável. A digestão ocorre paulatinamente e ao término sentimos um sabor adocicado, típico de uma boa sobremesa. Esse com certeza será o principal prato da carreira de Jean-Pierre Jeunet.

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