godfather2
Exemplo da saborosa mistura entre arte e entretenimento

É engraçado como as coisas que giram ao nosso redor são sempre divididas em duas partes. Da laranja, que a gente corta em duas “bandas” (minha avó falava assim), ao planeta Terra, cortado em dois hemisférios. Poxa vida. Ingênuo eu que pensei que o cinema fugisse dessas tais divisões, submetendo-se apenas às classificações dos seus movimentos e escolas estéticas.

Para descobrir a tal divisão, vá às ruas e pergunte o gosto cinematográfico de cada um. Dois universos distintos se formarão a partir das respostas. Há os adoradores dos blockbusters, aqueles que não recusam a famigerada mistura de pipoca e DVD em noites chuvosas (é bem clichê mesmo); e os cinéfilos de carteirinha que esnobam “Homens de Ferro da Vida” e usam óculos de aba grossa. A divisão é visual, é nítida. Nem precisa de muito esforço.

A separação de públicos, ainda mais no campo do cinema, é um fenômeno natural e super normal, eu confesso. Mas o problema está numa suposta segregação e discriminação que um grupo de cinéfilos provoca no outro.

Vamos partir para a ação. Voltemos às ruas. Afaste-se dos cine-clubes da Paulista, pegue o metrô e vá para qualquer shopping da cidade. Pare no Cinemark. Se aproxime do “amigo da fila” e comente sem compromisso qualquer coisa sobre cinema preto e branco. A resposta: “Eca. Filme preto e branco. Puta merda, que sono! Isso é coisa de intelectualzinho”.

Saia do Cinemark e volte para a Paulista, mais precisamente na Augusta, no Espaço Unibanco. Com certeza você vai achar um cara com a barba por fazer vestido com uma calça apertada na base. Batata. Personagem perfeito. Quando entrar na sala de cinema, solte uma boa risada relembrando aquela cena em que o protagonista do American Pie finca o pênis na torta de maçã. Hilária. Sensacional. O amigão vai virar e torcer o nariz pra você.

Sei que estereotipei ao extremo. Talvez não seja assim como descrevi (duvido! hahaha). Apenas pensem que o preconceito cinematográfico só tende a obstruir mais e mais a oportunidade de conhecer os diversos mundos, ambientes e histórias que só a sétima arte sabe mostrar. A ideia é jogar de canto as amarras para que o cinema, como um todo – desde o cinema arte ao entretenimento -, deixe de ser visto com olhos desconfiados e narizes torcidos.

Escrevi, escrevi, escrevi e não me apresentei. Mas não precisa. Aos poucos a gente vai se familiarizando. Só saibam que divido com o Thiago, o grande mestre deste blog, o interesse pelo cinema, paixão que o fez me convidar para escrever os arrotos que eu quiser. O Guilherme tá na área.

Anúncios