supermae

Há algum tempo tenho observado com mais atenção as campanhas de Dia das Mães. Uma semelhança me intriga. Não foram poucas que usaram o adjetivo SUPER como mote publicitário. Essa aparente falta de criatividade parece ter relação com o papel das mulheres em nossa sociedade, nesse caso principalmente relacionada àquelas com um ou mais filhos.

O aparecimento das mulheres no Mercado de Trabalho, foi intensificado pelas duas grandes guerras mundiais. Não foi em decorrência de um avanço “cultural” porém da necessidade de mão-de-obra para que a economia não travasse totalmente durante o embate. Ao término dos conflitos as mulheres resistiram nos postos e batalharam por direiros iguais até o ápice de Maio de 1968.

Atualmente é comum que a mulher divida seu tempo entre o ambiente formal de trabalho e o doméstico naquela amplamente conhecida “Jornada Dupla”. Elas ainda recebem menos e sofrem com discriminação. Os entusiastas dirão que a situação melhorou muito, porém afirmarei que caminha longe do regular. O objetivo não é generalizar o papel feminino mas sim demonstrar que o adjetivo SUPER aqui empregado, é um tanto cruel. Esse heróismo sádico parece contemplar o interesse masculino no afastamento das atividades domésticas. A Balança pende para as Mães em diversos assuntos, desde a educação dos filhos até os diversos cuidados com o lar.

O sistema econômico enche de orgulho as mães ao defini-las como SUPER. O adjetivo parece um reconhecimento as diversas dificuldades que essas mulheres enfrentam no dia-a-dia. Nossa Mãe sempre será uma heroína, seu amor, dedicação e preocupação parecem inatos. Obviamente existem exceções já que nem sempre esses personagens sociais figuram entre o comodismo de papéis imutáveis. Elas precisam da nossa ajuda para sair desse heróismo desgastante.

Uma pena que essas batalhadoras sejam comumente presenteadas com super-aspiradores, super-panelas, etc.

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