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Como descrever um evento do qual não participei? Ou mesmo defender ou atacar? Nesse texto serei hipócrita e conduzrei algumas reflexões sobre a Virada Cultural, evento realizado anualmente na cidade de São Paulo e que tem como principal objetivo propiciar o acesso à diversas atividades culturais gratuitas.

As apresentações já “viraram” passado mas sobram críticas positivas e negativas estampadas em sites, jornais e revistas. Dentre as reclamações temos o excesso de lixo produzido e a falta de banheiros químicos, lembrando que este foi um evento ininterrupto de 24 horas. O centro de São Paulo foi inundado por pessoas de todas as tribos e regiões que compartilharam entre si uma farofa cultural dentre muita sujeira e mau cheiro. Há ainda os que reclamam da algazarra e bebedeira, frequentemente vista nesse tipo de acontecimento. O que fazer diante de tanta feiura? Proibir o único grande acontecimento cultural gratuito e bem divulgado da cidade? Privar os bêbados e marginalizá-los? Fingir que não existem os sujos, pobres, fétidos e imundos?

Talvez a resposta esteja novamente naquela que caminha de muletas em nosso estado – A Educação. Não me refiro aos bons modos que são essenciais nesses eventos, porém ao discernimento crítico. O discernimento crítico não é algo a ser apreendido isoladamente, porém é algo a ser trabalhado em discussões, estudos, pesquisas, etc. O arcaico metódo escolar reproduzido entre tantas escolas parece despreocupado com a criticidade de seus sujeitos. A alienação toma conta de nossos jovens que cairam no conto do vigário. Formamos pessoas robotizadas e aptas ao trabalho mecanizado. Depois nos envergonhamos do resultado nas urnas.

Mas o que o discernimento crítico tem a ver com toda essa sujeira? Tudo! Nos acostumamos a aceitar passivamente o que é imposto. Não lutamos pelo que é nosso por direito. A sociedade é individualista! Ponto Final. Não vou explanar soluções para reverter esse quadro pois o objetivo do texto é outro.

A Virada Cultural deve continuar. Precisa ser bem organizada. O que constato não é o fracasso do evento mas sim da Educação. Fracasso não significa desistência, pelo contrário, aprendemos com os erros e temos que estar atentos a essa política de pão e circo. Não vamos aplaudir senhor prefeito essa sujeira toda.

A brisa cultural não espantou o mal cheiro.

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